Invest

Para onde vai o Ibovespa em 2023? As projeções de bancos e corretoras para a bolsa

Analistas veem rumo da taxa de juros como determinante para a direção da bolsa no ano que vem

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

GG

Guilherme Guilherme

Publicado em 22 de dezembro de 2022 às 06h30.

Última atualização em 22 de dezembro de 2022 às 14h56.

Para onde vai a bolsa brasileira em 2023? A resposta "para cima" seria praticamente unânime no mercado, se a pergunta fosse feita há dois meses. Múltiplos próximos da mínima em mais de uma década e expectativa de queda de juros fariam parte do argumento. Mas o cenário mudou e, de lá para cá, o aumento das incertezas sobre a dinâmica fiscal tem mantido investidores em modo cautela.

A questão de para onde vai a Selic é peça-chave para entender para onde vai a bolsa no próximo ano, segundo analistas. O medo é de que um aumento de gastos pressione a dívida brasileira, forçando o Banco Central a manter a taxa de juros elevada por mais tempo.

Para a Genial Investimentos, que espera por nova alta de juros no ano que vem, a bolsa deve seguir praticamente estagnada em 2023 e encerrar o ano abaixo de 110.000 pontos. "Estamos pessimistas para o cenário doméstico", afirmou em relatório Filipe Villegas, estrategista de ações da casa. O cenário previsto, afirmou o estrategista, deve ser ainda mais duro para empresas voltadas para a economia interna, como de varejo.

"Entendemos que ações locais estão baratas, mas as primeiras sinalizações do governo eleito diminuem a visibilidade de um cenário mais benigno à frente."

A despeito do costumeiro otimismo de fim de ano, não é só a Genial que está mais conservadora para o ano que vem. Para o BTG Pactual, o Ibovespa deverá fechar o próximo ano em 111.105 pontos, mesmo uma queda projetada para a Selic de 13,75% para 12,5%. Se confirmada a pontuação, o retorno do índice sequer superaria a taxa básica de juros, livre de riscos.

Mesmo analistas com projeções mais otimistas para a bolsa veem com receio os potenciais impactos da política fiscla do próximo governo. "A questão daqui para frente é como o presidente eleito Lula conseguirá equilibrar as promessas que fez na campanha com os escassos recursos que terá em mãos", avaliaram os analistas do J.P. Morgan, que esperam Ibovespa a 130.000 pontos no ano que vem.

A expectativa do banco americano é de que a Selic caia para 11,50% no ano que vem -- o que viabilizaria a alta da bolsa. "No entanto, as primeiras palavras do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva vis a vis a política fiscal apagaram completamente os cortes da curva de juros, que agora, na verdade, têm altas ocorrendo em 2023. Se as taxas não caírem, os investimentos em ações continuarão sofrendo tanto em retorno quanto em perspectiva de fluxo", afirmou o J.P. Morgan.

Do lado do fluxo, juros altos por mais tempo significa uma menor atratividade da bolsa frente à renda fixa. Mas do lado das empresas os prejuízos podem ser milionários., com os juros mais altos pressionando o encarecimento da dívida e, consequentemente, reduzindo o lucro. Com a queda do lucro, mesmo a bolsa estagnada, os múltiplos tendem a subir, o que reduziria a percepção de que os preços estão baratos na bolsa -- ainda mais se o cenário for de menor crescimento.

É justamente em um cenário oposto em que acora a tese da Guide. Com a projeção mais otimista do mercado, a corretora prevê Ibovespa a 150.000 pontos no ano que vem.

"A maior dúvida para o chegar a um 'target' para o Ibovespa em 2023 é qual a estimativa para o lucro das empresas nos próximos anos. De um lado, a economia brasileira está crescendo, os juros devem cair e reduzir as despesas financeiras. Por outro lado, o preço das commodities está muito elevado e nosso viés é de queda nos próximos meses [o que pressionaria o lucro das maiores empresas do índice]", afirmaram em relatório.

Acompanhe tudo sobre:Açõesbolsas-de-valoresIbovespaSelic

Mais de Invest

CD americano x CDB brasileiro: quais as diferenças e qual vale mais a pena investir

Goldman Sachs vê cenário favorável para emergentes, mas deixa Brasil de fora de recomendações

Empresa responsável por pane global de tecnologia perde R$ 65 bi e CEO pede "profundas desculpas"

Mega-Sena acumulada: quanto rendem R$ 53 milhões na poupança

Mais na Exame