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Para além do petróleo: guerra no Irã acende alerta para semicondutores

Ataques a instalações energéticas no Irã e no Catar derrubam bolsas na Ásia e acendem alerta sobre escassez de insumos no setor tecnológico

Tecnologia: risco de escassez de insumos com guerra no Irã se agrava. (Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Tecnologia: risco de escassez de insumos com guerra no Irã se agrava. (Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 19 de março de 2026 às 08h16.

As ações de tecnologia na Ásia registraram quedas acentuadas nesta quinta-feira, 19, após ataques de mísseis contra o campo de gás de Ras Laffan, da QatarEnergy, no Catar, na quarta-feira, 18.

Na Coreia do Sul, SK Hynix e Samsung Electronics caíram 2,23% e 1,8%. Em Taiwan, a TSMC recuou 2,1%. No Japão, a Advantest perdeu mais de 4%, enquanto, em Hong Kong, Tencent e Alibaba também registraram quedas.

O ataque a instalações, somado à alta do petróleo, abalou o sentimento dos investidores e ampliou os temores de disrupções na cadeia global de semicondutores, de acordo com fontes ouvidas pela CNBC.

O consultor sênior de ações da Union Bancaire Privée, Vey-Sern Ling, afirmou à CNBC que os movimentos refletem, sobretudo, o conflito no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo.

"Os riscos macroeconômicos superam em muito os fundamentos das empresas neste momento."Vey-Sern Ling, consultor sênior de ações da Union Bancaire Privée

Embora a pressão inflacionária seja a preocupação imediata, analistas apontam riscos mais profundos ligados a insumos críticos.

Dependência do hélio

O Catar responde por mais de um terço da produção global de hélio, essencial para semicondutores e equipamentos médicos.

A interrupção de atividades da QatarEnergy eleva o risco de choque de oferta, sem substitutos viáveis no curto prazo.

A diretora para a Ásia-Pacífico da Fitch Ratings, Shelley Jang, alertou que interrupções em Ras Laffan podem gerar gargalos logísticos e atrasar a normalização do fornecimento.

Impactos no setor petroquímico

A instabilidade no Golfo também pressiona o setor petroquímico, base da produção de eletrônicos. O agravamento dos conflitos desestabiliza sistemas críticos da indústria.

"Os piores cenários para atrasos em fábricas de semicondutores podem levar a uma perda de receita de US$ 1,5 bilhão a US$ 3 bilhões e a impactos adicionais na produção", pontuou a analista de cadeia de suprimentos da Gartner, Cori Masters.

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