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Pague Menos: Juros altos e incorporação da Extrafarma ofuscam melhoria operacional no 3º tri

Lucro líquido ajustado R$ 7 milhões, refletindo o prejuízo de R$ 30 milhões da empresa comprada; receita cresceu 29,9%

Pague Menos: Desconsiderando a Extrafarma, o lucro líquido cresceu 4,9%, para R$ 37,3 milhões (Leandro Fonseca/Exame)

Pague Menos: Desconsiderando a Extrafarma, o lucro líquido cresceu 4,9%, para R$ 37,3 milhões (Leandro Fonseca/Exame)

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Raquel Brandão

Publicado em 7 de novembro de 2022, 19h59.

No primeiro trimestre com a Extrafarma incorporada, a Pague Menos (PGMN3) viu a aquisição impactar os números. No terceiro trimestre, o lucro líquido consolidado do que se tornou a nova empresa caiu de R$ 35,6 milhões para R$ 7 milhões, refletindo o prejuízo de R$ 30 milhões da empresa comprada.

As perdas, explica Luiz Novais, diretor financeiro da rede de farmácias, se devem ao processo de incoporação da operação, que levou a demissões e fechamento de lojas da Extrafarma. Considerando só os números da Pague Menos, o lucro líquido cresceu 4,9%, para R$ 37,3 milhões. O resultado contábil ficou 184% maior, em R$ 84,5 milhões, mas porque inclui o valor de R$ 137,8 milhões de compra vantajosa da Extrafarma.

Com a rede que pertencia ao grupo Ultra, a Pague Menos se tornou a maior rede de varejo farmacêutico do Norte e Nordeste, com mais de 20% em participação nesses mercados, e a maior em número de lojas em todo país, com 1.592 unidades.

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Além do efeito Extrafarma, o que mais pesou no resultado da companhia foi a linha do resultado financeiro, justamente pela pressão da aquisição. Com um ambiente de juros mais altos, o prejuízo financeiro chegou a R$ 94 milhões, um avanço de 84%. A dívida líquida totalizou R$ 1,02 bilhão, com a alavancagem subindo para 2,6 vezes quando considerada a norma contábil ex-IFRS16.

"Juros pesaram no resultado financeiro e isso consumiu a melhoria operacional da companhia", diz Novais em entrevista à Exame Invest. Segundo o diretor, a alavancagem da companhia ainda deve crescer no quarto trimestre e começar a recuar a partir do primeiro trimestre do ano que vem.

Resultado operacional

A receita da companhia consolidada cresceu 29,9%, para R$ 2,48 bilhões. O crescimento foi de duplo dígito tanto na Pague Menos, onde a receita cresceu 11,6%, quanto na Extrafarma, em que o faturamento foi 13,9%. A produtividade por loja também melhorou: cresceu 18% na Pague Menos e 23% na Extrafarma.  

A receita, conta Novais, não cresceu na mesma velocidade de outras concorrentes, pois a empresa tem menor presença no Sul e Sudeste, onde o período mais frio no terceiro trimestre impulsionou a venda de medicamentos para gripe.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado chegou a R$ 199,5 milhões, subindo 24,4% e atingindo margem de 7,5%, 0,4 ponto percentual abaixo de um ano antes. Se considerado apenas o desempenho da Pague Menos, a margem Ebitda cresceu 0,7 ponto percentual, para 8,6%.

"Estamos no ponto de inflexão, com a margem Ebitda da companhia crescendo. Olhando para Extrafarma, já vemos melhorias a partir do primeiro trimestre", diz Novais. Ele conta que a captura de sinergias está acontecendo mais rápido do que o esperado, com a empresa prevendo alcançar R$ 38 milhões em sinergias já no primeiro trimestre de 2023. O principal avanço deve começar agora, com a melhoria dos estoques da Extrafarma.

A estrutura de serviços da companhia cresceu com a incorporação da Extrafarma, somando 1.004 unidades com consultórios. É nessas estruturas que a companhia vê potencial de crescimento para o Hub de Saúde, que entende ser um negócio capaz de capturar a demanda de parte da sociedade por serviços de medicina. Nessas estruturas, a rede oferece atendimentos de telemedicina. Segundo Novais, um cliente que passa por consulta tende a ter um tíquete médio até 40% superior ao do cliente comum. O resultado, porém, caiu no trimestre para 405 milhões de atendimentos, dado que o mesmo período anterior foi afetado pela forte demanda de testes de covid. 

"Aumenta faturamento da companhia, mas mais importante é ter o cliente fidelizado. Além disso, nos ajuda a ter um banco de dados mais completo para ser mais assertivo nas campanhas, oferecendo os produtos mais adequados para cada cliente", conta o executivo. 

Freio nas aberturas

Com o objetivo de completar o processo de incoporação da Extrafarma e capturar as sinergias, previstas entre R$ 180 milhões e R$ 275 milhões, a Pague Menos resolveu colocar o pé no freio nas aberturas de lojas no próximo ano. Em 2022, deve encerrar com 120 lojas novas e abrir 60 lojas em 2023. Em 2024, o plano é voltar a abrir 120 lojas.