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Ozempic e Mounjaro blindam farmácias na bolsa em período instável

Demanda por canetas emagrecedoras é um dos principais vetores de crescimento projetado para 2026, diz BTG

Canetas para emagrecer: Ozempic, Mounjaro e outros medicamentos GLP-1 sustentam otimismo. (Peter Dazeley /Getty Images)

Canetas para emagrecer: Ozempic, Mounjaro e outros medicamentos GLP-1 sustentam otimismo. (Peter Dazeley /Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 6 de abril de 2026 às 12h08.

A corrida pelos remédios para emagrecer do tipo GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, transformou o varejo farmacêutico brasileiro em um dos setores mais resilientes da bolsa em 2025, sustentando o otimismo para os primeiros meses de 2026, segundo o BTG Pactual.

Com forte demanda, crescimento de vendas em mesmas lojas (SSS, em inglês) na casa dos dois dígitos e margens sob controle, as farmacêuticas de capital aberto navegaram bem em um ambiente macroeconômico turbulento.

Agora, uma combinação de fatores técnicos e regulatórios começa a pesar sobre o desempenho das ações — sem, contudo, alterar o quadro estrutural positivo do setor, na avaliação dos analistas.

A demanda pelos medicamentos de emagrecimento segue, ainda, como um dos principais vetores de crescimento projetado para 2026. O movimento gerou efeitos tanto de volume quanto de mix nas prateleiras das farmacêuticas.

1º trimestre promissor

O BTG projeta que o setor farmacêutico varejista seguirá firme, mesmo com alguma desaceleração natural após um quarto trimestre bastante robusto no Brasil, com maior valor agregado.

A projeção aponta crescimento consolidado de vendas mesmas lojas de, aproximadamente, 12% ao ano para a Raia Drogasil.

A receita bruta deve avançar 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a margem Ebitda deve se expandir cerca de 50 pontos-base — um ritmo menor, mas consistente com o crescimento da companhia.

Os analistas detalharam que, embora a ação da Raia Drogasil não esteja barato — negociado a 23 vezes o lucro estimado para 2026 —, o múltiplo encontra respaldo em alguns cenários.

E o GLP-1 "continua a desempenhar um papel fundamental como catalisador, tanto em termos de composição da receita quanto de alavancagem operacional", detalharam os analistas.

Queda das ações

Apesar do cenário otimista, houve uma queda recente das ações do setor farmacêutico na bolsa, e um dos motivos foi a movimentação do Mercado Livre (Meli) no mercado de medicamentos isentos de prescrição.

"Consideramos esse movimento como sendo predominantemente técnico, e não fundamental."Relatório do BTG Pactual

A avaliação do banco é de que o ecossistema do Meli — combinando marketplace, meios de pagamento e logística — representa uma vantagem competitiva real para as farmácias.

Além disso, como o setor passou a ser percebido como um porto seguro na renda variável em 2025, o resultado foi um posicionamento relativamente concentrado e, portanto, mais suscetível a movimentos abruptos de saída.

Reajuste de preços

Um vetor de pressão veio da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que definiu o reajuste máximo de preços de medicamentos para 2026 em 3,81% para produtos de nível 1 de competitividade.

As faixas de 2,47% e 1,13% ficaram para os níveis 2 e 3, respectivamente. Já a média ponderada figurou em torno de 2,47%, abaixo da inflação de referência, de 3,81%.

É o segundo ano consecutivo com reajuste abaixo da inflação. O impacto mais direto recai sobre o componente de preço na equação de crescimento das receitas.

Mas não há evidências de queda da demanda ou deterioração estrutural dos resultados operacionais, o que reforça a leitura de que as boas perspectivas de longo prazo não se alteram.

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