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Otimismo com balanço dura pouco e ação da Tesla cai: entenda o motivo

Aumento do capex pressiona o papel após o balanço

Tesla: ação sofre revés após divulgação de balanço (Tesla/Divulgação)

Tesla: ação sofre revés após divulgação de balanço (Tesla/Divulgação)

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 23 de abril de 2026 às 14h35.

As ações da Tesla recuaram após a divulgação do resultado trimestral nesta quarta-feira, 22, pressionadas principalmente pela elevação do capex acima do esperado. Ainda assim, especulações em Wall Street uma possível fusão entre com a SpaceX ajudam a sustentar o interesse dos investidores no curto prazo. Especialmente, porque a empresa de foguetes de Elon Musk deve abrir capital ainda neste ano, com avaliação próxima de US$ 2 trilhões.

Na sessão mais recente, os papéis caíram cerca de 3%. Apesar da reação negativa ao balanço, a ação ainda acumula valorização próxima de 60% em 12 meses e permanece relativamente estável nas últimas semanas, mesmo com desempenho considerado pouco empolgante na divisão automotiva.

O principal fator de preocupação após os resultados foi o aumento do plano de investimentos para 2026, elevado de US$ 20 bilhões para US$ 25 bilhões. Conforme divulgado pela CNBC, analistas já vinham alertando que o ritmo de expansão poderia pressionar a geração de caixa da companhia ao longo do ano.

Para o Jefferies, planos ambiciosos de capex devem criar “centros de perda por algum tempo”, cenário que pode inclusive levar a Tesla a registrar fluxo de caixa livre negativo caso o ritmo de investimentos continue aumentando, segundo informações da CNBC.

IPO da SpaceX entra no radar do mercado

Mesmo com o aumento das preocupações financeiras no curto prazo, a atenção de parte relevante do mercado se deslocou para outro vetor: o possível IPO da SpaceX, empresa de foguetes de Elon Musk que pode alcançar avaliação próxima de US$ 2 trilhões.

De acordo com informações da CNBC, para os analistas da Baird, o desempenho das ações da Tesla tende a permanecer ligado às expectativas envolvendo essa listagem e aos rumores de integração entre as duas companhias.

A avaliação é compartilhada por analistas da Roth, que afirmam que o IPO da SpaceX deve dominar o debate sobre Tesla no curto prazo, tanto por impactos diretos quanto indiretos — incluindo potenciais sinergias operacionais entre os negócios, segundo divulgado pela CNBC.

Já o Jefferies destacou, em relatório de 19 de abril, que a discussão sobre uma eventual fusão entre Tesla e SpaceX permanece relevante para investidores, especialmente porque modelos tradicionais de valuation têm perdido relevância diante do perfil altamente diversificado, com múltiplas frentes tecnológicas simultâneas. “Métricas tradicionais de avaliação têm pouca utilidade, com as ações sendo guiadas por sentimento e confiança em implementação operacional e inovação sustentada”, escreveram os analistas.

Estrutura separada aumenta complexidade operacional

Segundo a CNBC, durante a teleconferência de resultados, Elon Musk comentou explicitamente sobre as dificuldades operacionais decorrentes da separação societária entre suas empresas, citando o projeto de fabricação de semicondutores Terafab.

De acordo com ele, a participação da SpaceX na fase inicial de expansão do projeto exige aprovações simultâneas dos conselhos das duas companhias, o que aumenta a dificuldade das decisões.

“Isso vai trazer, infelizmente, muita complexidade, porque temos que garantir que os acionistas da Tesla sejam atendidos e que os acionistas da SpaceX sejam atendidos, e encontrar o equilíbrio correto entre os dois”, afirmou Musk.

Na visão da Baird, esse tipo de estrutura reforça o argumento estratégico para uma eventual integração no futuro, conforme divulgado pela CNBC. “Na nossa visão, manchetes e notícias sobre o IPO da SpaceX provavelmente vão direcionar as ações da TSLA no curto prazo”, escreveram.

Projetos seguem no radar, mas execução divide opiniões

O sentimento dos analistas em relação aos principais projetos da Tesla segue misto. A empresa mantém iniciativas em áreas como robotáxis, direção autônoma, robótica e armazenamento de energia, mas a evolução dessas frentes ainda gera avaliações divergentes no mercado.

Segundo nota do Rob Wertheimer, da Melius, divulgada pela CNBC, as taxas de adesão ao pacote de direção totalmente autônoma parecem estar melhorando, enquanto os níveis de cancelamento permanecem baixos.

Por outro lado, a divisão de energia apresentou desempenho abaixo do esperado. A receita do segmento somou US$ 2,41 bilhões no trimestre, abaixo da projeção da Stifel de US$ 3,28 bilhões, com queda de 37,2% em relação ao trimestre anterior e recuo de 11,8% na comparação anual.

As implantações de sistemas de armazenamento totalizaram 8,8 gigawatts-hora no primeiro trimestre, queda sequencial de 38%. Ainda assim, segundo informações da CNBC, o CFO Vaibhav Taneja afirmou nesta quarta-feira que a expectativa segue sendo de expansão do volume instalado ao longo de 2026.

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