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'Os EUA não têm direito divino ao sucesso', diz CEO do maior banco americano

Presidente do JP Morgan, Jamie Dimon afirma que escolhas erradas de política custaram US$ 20 mil de PIB per capita a cada americano e defende parceria entre governo e setor privado

Jamie Dimon: para CEO do JP Morgan, é hora de recuperar o sonho americano (Noam Galai/Getty Images)

Jamie Dimon: para CEO do JP Morgan, é hora de recuperar o sonho americano (Noam Galai/Getty Images)

Publicado em 7 de maio de 2026 às 05h42.

"Os Estados Unidos deixaram o crescimento sobre a mesa." A frase abre o primeiro texto de Jamie Dimon no From the desk of, novo fórum de política pública do JP Morgan Chase, o maior banco americano — e resume, em poucas palavras, o tom que o banqueiro mais poderoso dos Estados Unidos pretende adotar no debate econômico daqui para frente.

No texto de estreia, assinado por Dimon como presidente e CEO do banco, ele argumenta que os EUA cresceram, em média, cerca de 2% ao ano nas últimas duas décadas — e que escolhas de política mais eficientes poderiam ter levado esse número a pelo menos 3%.

Segundo Dimon, essa diferença de 1 ponto percentual ao ano representaria hoje um Produto Interno Bruto (PIB) per capita adicional de US$ 20 mil por americano.

"Boa política importa. E muitas vezes é de graça" — Jamie Dimon, presidente e CEO do JP Morgan Chase

O argumento central

Para Dimon, uma boa política econômica, que inclui defesa nacional, política industrial, comércio exterior e acordos econômicos com aliados, pode criar empregos, elevar salários e proteger a população sem necessariamente custar mais aos cofres públicos. O oposto, segundo ele, também é verdadeiro.

"Políticas equivocadas e burocracia excessiva podem sufocar o crescimento e o progresso. Isso já vem acontecendo há muito tempo. Devemos todos lembrar que, apesar de nossas extraordinárias bênçãos, os Estados Unidos não têm um direito divino ao sucesso", escreveu.

Por que um banco entra no debate de política pública?

O JP Morgan Chase atende mais da metade dos lares americanos, trabalha com mais de 7 milhões de pequenas empresas e opera em mais de 100 países, segundo dados divulgados na quarta-feira, 7.

Dimon usa esse alcance para justificar por que o banco tem algo relevante a dizer. "Esse alcance nos dá um ponto de vista único. Vemos o que funciona, o que não funciona e onde regulações falhas estão nos freando."

O From the desk of será o canal pelo qual os executivos seniores do banco vão compartilhar perspectivas sobre política pública, com foco em "substância, detalhes e fatos baseados em análises rigorosas", segundo o texto de estreia.

Dimon encerra pedindo que os leitores acompanhem sua carta anual aos acionistas, onde detalha soluções para crescer a economia americana, fortalecer a segurança nacional e, nas suas palavras, "reconstruir o Sonho Americano".

O papel do setor privado

Uma das passagens mais diretas do texto toca num tema recorrente para Dimon: a responsabilidade dos líderes empresariais.

Para ele, os problemas do país não serão resolvidos apenas por políticos. "O mundo é cada vez mais complexo, e muitas das nossas maiores questões exigem que governo e empresas trabalhem juntos", escreve, defendendo que executivos devem contribuir com sua expertise, suas ideias e, quando necessário, seus próprios recursos.

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