Petróleo: commodity pode atingir US$ 150 por barril. (Montagem/Canva/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 11 de maio de 2026 às 07h44.
Última atualização em 11 de maio de 2026 às 10h28.
Desde o início das hostilidades, o impacto imediato sobre a oferta global foi amenizado por uma combinação de ajustes logísticos e estratégicos.
Analistas do Morgan Stanley veem que os EUA ampliaram exportações em cerca de 3,8 milhões de barris por dia, enquanto a China reduziu importações em 5,5 milhões de barris diários.Esse ajuste combinado ajudou a aliviar a pressão imediata sobre o mercado internacional. O mercado conseguiu absorver um aperto equivalente a 9,3 milhões de barris por dia: "um valor muito significativo."
Mas essa dinâmica começa a mostrar sinais de desgaste. "A capacidade dos EUA de manter esse nível elevado de exportações é difícil de avaliar, mas parece estar sob maior pressão", segundo os especialistas.
No cenário-base traçado pelo Morgan Stanley, o Estreito de Ormuz seria reaberto ainda em junho.
Se isso ocorrer, o banco tem projetado o petróleo Brent na média de US$ 110 por barril neste trimestre, recuando para US$ 100 no terceiro trimestre e encerrando o ano próximo de US$ 90.
O risco maior aparece em uma hipótese mais pessimista, com o bloqueio persistindo até julho. Os preços poderiam disparar entre US$ 130 e US$ 150 por barril, reacendendo temores de inflação global e desaceleração.
"Um fechamento que se estenda até o final de junho ou mesmo julho é o cenário em que o preço fixo do Brent terá que compensar o esforço que até agora conseguiu evitar", de acordo com o banco.
O Brent para julho era negociado a US$ 103,83, com alta diária de 2,51%, na manhã desta segunda-feira, 11.
Já o West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos EUA, avançava 2,35%, cotado a US$ 97,66, depois de atingir máxima intradiária acima de US$ 100.
Mesmo em caso de reabertura rápida de Ormuz, o banco avalia que os impactos sobre a cadeia global de energia não desapareceriam imediatamente.
O reinício da produção em campos afetados, os reparos em refinarias e o reposicionamento da frota mundial de petroleiros devem prolongar os efeitos da crise por vários meses.
A estimativa do Morgan Stanley é que os gargalos logísticos retirem cerca de um bilhão de barris do mercado global até o fim de 2026, "mesmo que o estreito reabrisse amanhã", conforme o banco.
Isso devido ao "tempo necessário para reiniciar os campos, reparar as refinarias e reposicionar a carga de petroleiros", explicaram.