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OPEP+ confirma pausa nos aumentos de produção prevista para o início de 2026

Decisão reflete expectativas de demanda mais fraca e reforça a estratégia de estabilidade adotada pelo grupo diante do risco de excesso de oferta

Petróleo: commodity recuou neste ano (makhnach/Freepik)

Petróleo: commodity recuou neste ano (makhnach/Freepik)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 14h19.

Em meio a queda dos preços do petróleo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+) decidiu manter inalteradas as metas de produção durante o primeiro trimestre de 2026. Isso porque há crescentes sinais de excedente de petróleo nos mercados globais, segundo informou a Bloomberg.

A decisão, anunciada inicialmente no início deste mês, foi confirmada nesta domingo, 30, por membros importantes da OPEP+, liderados pela Arábia Saudita, após uma série de reuniões entre os membros da aliança. Em comunicado, o grupo reiterou que a decisão refletia suas expectativas de condições de mercado sazonalmente mais fracas.

Os membros da OPEP+ também concordaram em manter as quotas de produção do grupo estáveis ​​no próximo ano e validou um mecanismo que permitirá reavaliar, adiante, a capacidade produtiva de cada país. Espera-se que a revisão ajude a definir as quotas de produção em 2027.

Embora a pausa nos aumentos de produção indique certa cautela por parte OPEP+ e seus parceiros, após a rápida retomada da produção de petróleo no início deste ano, isso ainda deixa os mercados mundiais a caminho de um excedente significativo no início de 2026, o que provavelmente exercerá ainda mais pressão sobre os preços.

O preço do petróleo de referência WTI ficou acima dos US$ 80 por barril em janeiro deste ano. Atualmente, está na casa dos US$ 50. A Agência Internacional de Energia, com sede em Paris, projeta um excedente recorde em 2026, enquanto Goldman Sachs e JPMorgan também trabalham com perspectivas de recuo nas cotações.

Congelamento de oferta

O congelamento da oferta por três meses também abre espaço para que a OPEP+ monitore riscos geopolíticos crescentes relacionados ao fornecimento dos seus membros e acompanhe novas tentativas de mediação da guerra na Ucrânia.

A queda recente do petróleo acontece enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, intensifica os pedidos por combustíveis mais baratos, tema sensível entre eleitores preocupados com o custo de vida. O presidente recebeu o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman na Casa Branca no início do mês, e seu governo autorizou a venda de caças F-35 e chips de inteligência artificial para a Arábia Saudita.

Oito países influentes da OPEP+ surpreenderam o mercado em abril ao acelerar a reativação da produção parada desde 2023. Fontes oficiais disseram, segundo a Bloomberg, que a iniciativa visava recuperar a parcela de mercado perdida para competidores — como produtores de xisto nos EUA — e também impor disciplina aos membros que descumpriram as quotas.

Embora a Arábia Saudita tenha conseguido reconquistar parte de seu espaço, o impacto negativo sobre os preços gerou pressões fiscais internas, ampliando o déficit e levando ao adiamento de projetos econômicos relevantes. A queda das cotações também tem atingido produtores fora do grupo, incluindo empresas de xisto nos EUA.

Até agora, cerca de 70% dos dois cortes realizados em 2023 foram revertidos, ao menos oficialmente, restando aproximadamente 1,1 milhão de barris por dia a serem recolocados no mercado. Na prática, porém, os aumentos têm sido menores do que o anunciado, porque alguns membros ainda compensam episódios de superprodução e outros enfrentam dificuldades técnicas para elevar a oferta.

Esses entraves estão no centro da revisão estrutural da capacidade produtiva do grupo. Parte dos países tenta obter reconhecimento de sua capacidade atualizada, enquanto outros ainda lutam para atingir o teto autorizado. Esclarecer o potencial real de bombeamento ajudaria a aproximar as quotas da realidade e tornaria cortes futuros mais críveis.

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