IPOs: OpenAI e Anthropic precisam abrir capital para financiar altos investimentos em IA. (Imagem gerada por IA/Freepik)
Repórter de Invest
Publicado em 6 de abril de 2026 às 08h39.
Duas das maiores empresas de inteligência artificial o mundo, OpenAI e Anthropic enfrentam um paradoxo financeiro: quanto mais crescem, mais dinheiro perdem. Documentos confidenciais compartilhados com investidores e obtidos pelo Wall Street Journal mostram que o principal detrator das contas é o custo para treinar novos modelos de IA — e os números são de tirar o fôlego.
A OpenAI projeta gastar US$ 121 bilhões em infraestrutura de computação só em 2028. Mesmo com a receita quase dobrando, a empresa espera acumular um prejuízo de US$ 85 bilhões, uma cifra sem precedente na história de empresas de capital aberto.
Já a Anthropic, criadora do assistente de IA Claude, deve gastar bem menos, mas enfrenta o mesmo problema estrutural: os custos sobem mais rápido do que as receitas.
O momento força a necessidade cada vez maior de aberturas de capitais (IPOs, em inglês) para financiar os custos, já que esta é uma das formas mais eficientes de captar dinheiro. A OpenAI e a Anthropic planejam ingressar na bolsa até o fim de 2026.
Cada nova geração de modelos de IA exige mais processamento, mais energia e mais infraestrutura do que a anterior, ou seja, quanto mais inteligente o modelo, mais caro fica produzi-lo. E esse ciclo não dá sinais de desaceleração.
As duas empresas têm, inclusive, lançado novas versões de seus modelos em um ritmo cada vez mais rápido, o que pressiona ainda mais os custos.
A OpenAI e Anthropic chegam até a adotar uma prática incomum de divulgar dois resultados financeiros diferentes. Um inclui os custos de treinamento; o outro, não. Sem esses gastos, ambas estariam perto do lucro operacional em 2026.
Ao considerar os gastos, no entanto, a OpenAI não espera atingir o equilíbrio entre receitas e despesas antes da década de 2030, mas a Anthropic projeta chegar lá um pouco antes.
Apesar do cenário desafiador, as duas empresas estão entre os negócios que mais crescem na história da tecnologia, e esperam mais que dobrar sua receita neste ano.
Para viabilizar operações dessa escala, banqueiros estão negociando com as principais provedoras de índices de ações para flexibilizar as regras de entrada na bolsa, segundo fontes ouvidas pelo WSJ.
A Nasdaq já anunciou que vai permitir que empresas recém-listadas ingressem em seu índice mais rapidamente, o que amplia o acesso a um universo maior de investidores institucionais.
Por enquanto, tanto a OpenAI quanto a Anthropic seguem apostando que o futuro da IA vai justificar os gastos, mas o cenário é incerto e preocupa parte do mercado: afinal, será que os retornos vão superar as perdas?