Inflação: estratégias atreladas ao IPCA ficaram entre os destaques da renda fixa. (Getty Images/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 06h49.
Quem apostou em proteção contra a inflação levou a melhor na renda fixa da B3 em agosto. Enquanto investidores ainda discutem se é melhor travar juros longos ou permanecer no pós-fixado, os títulos atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltaram a se destacar.
O principal exemplo foi o Índice B3 Tesouro IPCA Prazo 10 anos (TP10), que avançou 1,78% no mês, a maior alta entre os dez índices de renda fixa monitorados pela B3, segundo levantamento divulgado pela própria bolsa.
O resultado mostra que, em agosto, as estratégias ligadas à inflação estiveram entre as que mais entregaram retorno na renda fixa. Dos cinco primeiros colocados do ranking, quatro têm exposição direta a títulos públicos ou contratos relacionados ao IPCA.
O Tesouro IPCA 10 anos funciona como um termômetro para quem investe no Tesouro IPCA de longo prazo. São papéis que costumam atrair investidores com objetivos como aposentadoria e formação de patrimônio, além de quem busca fugir da volatilidade da bolsa.
Para quem prefere investir por meio de fundos, o índice tem como referência o fundo de índice (ETF, em inglês) NB1011, negociado na bolsa como uma ação. O investidor consegue, assim, ganhar exposição a uma cesta de títulos sem precisar comprar cada papel separadamente.
Logo atrás apareceu outro índice ligado à inflação. O Índice DAP5, conhecido pelo código IDAP5, subiu 1,48% em agosto. O indicador acompanha o desempenho dos contratos futuros de Cupom IPCA com prazo de cinco anos, que refletem as expectativas do mercado para os juros reais.
O ETF BDAP11 é o principal produto que espelha esse movimento e permite que pessoas físicas tenham acesso à estratégia de forma mais simples.
A terceira posição ficou com o Índice de Debêntures Incentivadas Ultra Qualidade IPCA (Idic), que valorizou 1,47% no mês. O indicador acompanha uma carteira de debêntures incentivadas de empresas com boa qualidade de crédito, com remuneração atrelada ao IPCA.
Os prazos menores dos índices também entregaram retorno em agosto. O Índice de Títulos Públicos de Prazo Curto 2 anos (TP02) subiu 1,35%, enquanto o Índice de Títulos Públicos de Prazo Curto 5 anos (TP05) avançou 1,31%.
Os dois indicadores servem de referência para investidores que preferem não deixar o dinheiro aplicado por uma década inteira. Os ETFs NB0211 e NB0511 são os produtos associados a essas estratégias.
No universo das debêntures, dois índices chamaram atenção mesmo sem estarem diretamente ligados à inflação. O Índice de Debêntures Ultra Qualidade DI (Ideu) subiu 1,28% em agosto e conta com o ETF MARG11 como principal veículo de investimento.
Já o Índice de Debêntures AAA DI (Ideb) avançou 1,26%. O indicador acompanha o desempenho de debêntures com classificação de risco de crédito AAA, a nota máxima das agências de rating; e remuneração composta por DI, taxa que acompanha de perto a Selic, mais um spread, que é uma taxa adicional paga ao investidor pelo risco do título.
Completam o ranking dos dez índices de renda fixa com melhor desempenho em agosto o TSLL, com alta de 1,18%; o TSLC, também com valorização de 1,18%; e o ILFB, que fechou o mês com ganho de 1,16%.
| Posição | Índice | Variação em agosto | ETF de referência |
|---|---|---|---|
| 1º | TP10 | 1,78% | NB1011 |
| 2º | IDAP5 | 1,48% | BDAP11 |
| 3º | IDIC | 1,47% | — |
| 4º | TP02 | 1,35% | NB0211 |
| 5º | TP05 | 1,31% | NB0511 |
| 6º | IDEU | 1,28% | MARG11 |
| 7º | IDEB | 1,26% | — |
| 8º | TSLL | 1,18% | LFTX11 |
| 9º | TSLC | 1,18% | NCDI11 |
| 10º | ILFB | 1,16% | LFIX11 |
A utilidade desses índices para o investidor pessoa física fica mais clara quando entram em cena os ETFs. Em vez de comprar individualmente os títulos públicos ou as debêntures que compõem um índice, o investidor pode adquirir cotas do ETF correspondente, da mesma forma que compra uma ação na bolsa.
Com uma única operação, o dinheiro é distribuído entre os diferentes papéis que compõem a estratégia. Esse tipo de produto vem ganhando espaço por simplificar a construção de uma carteira de renda fixa.
Para quem não tem tempo, conhecimento técnico ou volume de capital para montar uma carteira diversificada sozinho, os ETFs podem facilitar o acesso a diferentes estratégias.
"À medida que novos índices ganham relevância e despertam interesse dos investidores, eles podem servir de base para o lançamento de novos produtos, ampliando o acesso a estratégias antes restritas a investidores institucionais", de acordo com comunicado da B3.