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Oncoclínicas deve pedir proteção judicial contra credores, diz jornal

Companhia recorre à Justiça após crise de caixa, impasse com credores e dificuldade para rolar dívida de curto prazo

Oncoclínicas: prejuízo de quase R$ 3 bi no quarto trimestre (Oncoclínicas/Divulgação)

Oncoclínicas: prejuízo de quase R$ 3 bi no quarto trimestre (Oncoclínicas/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 13 de abril de 2026 às 09h42.

A Oncoclínicas (ONCO3) deve entrar nesta segunda-feira, 13, com um pedido cautelar na Justiça para suspender cobranças e se proteger de credores enquanto tenta reorganizar seu passivo, segundo informou o Valor Econômico.

A companhia confirmou que avalia a medida, mas disse que ainda não tomou uma decisão final sobre o eventual pedido. Em fato relevante recente, a empresa afirmou que estuda recorrer à Justiça diante do risco de descumprimento de índices financeiros atrelados à dívida, especialmente a relação entre dívida líquida e Ebitda.

A Oncoclínicas também disse que avalia “diversas iniciativas e alternativas” para endereçar a situação financeira, incluindo possíveis operações com terceiros. Segundo a companhia, a medida cautelar faz parte de um conjunto de alternativas para evitar pressão de credores enquanto negocia a reestruturação do passivo.

O que está acontecendo com a Oncoclínicas?

O movimento ocorre em meio a uma deterioração acelerada da situação financeira da empresa. A crise se intensificou nas últimas semanas, com sinais claros de falta de liquidez. A empresa não conseguiu avançar em negociações com credores para adiar pagamentos de juros, especialmente entre detentores de CRIs, o que elevou o risco de execução imediata das dívidas.

Sem acordo, a proteção judicial virou o principal caminho para evitar um calote desordenado.

Os números mais recentes reforçam a deterioração. Segundo relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), a companhia teve um quarto trimestre fraco, com receita líquida de R$ 1,37 bilhão, queda de 13% na comparação anual, impactada pela descontinuação de serviços para alguns planos de saúde.

O resultado final foi pressionado por efeitos não recorrentes. A empresa registrou prejuízo de R$ 1,45 bilhão no período, mais que o dobro da perda de R$ 643 milhões um ano antes.

Mesmo ajustando os efeitos extraordinários, a operação segue pressionada, com queda no Ebitda e consumo relevante de caixa.

A alavancagem também preocupa. A dívida líquida somava R$ 2,94 bilhões ao fim de 2025, e a empresa encerrou o ano com alavancagem de 4,3 vezes — acima do limite estabelecido em contratos com credores, o que configura quebra de covenants.

Esse quadro reforça a necessidade de renegociação urgente da dívida. O próprio BTG avalia que a companhia terá de negociar com credores para evitar um cenário de estresse mais agudo.

A deterioração já havia sido sinalizada por agências de risco. A Fitch rebaixou a nota de crédito da empresa para ‘C(bra)’, nível próximo da inadimplência. A projeção é de menos de R$ 100 milhões em caixa diante de R$ 745 milhões em vencimentos ainda em 2026.

A situação se agravou com a exposição ao Banco Master, em liquidação extrajudicial. A Oncoclínicas tinha R$ 478 milhões aplicados em CDBs da instituição, embora parte tenha sido resgatada antes.

No campo operacional, os efeitos começam a aparecer. Há relatos de atrasos em tratamentos e falta de medicamentos em algumas unidades, o que aumenta a pressão por uma solução rápida.

A crise também atingiu a governança. O fundador Bruno Ferrari deixou a presidência em março, após pressão de investidores liderados pela gestora Latache, que passou a ter maioria no conselho. O comando foi assumido interinamente por Carlos Gil Moreira Ferreira.

Para levantar recursos, a companhia vendeu participações em dois hospitais, em operação estimada em R$ 290 milhões — montante considerado insuficiente diante do tamanho da dívida.

No mercado, a avaliação é de que um eventual aporte pode aliviar o curto prazo, mas não resolve o problema central. A incerteza sobre a reestruturação da dívida segue como principal fator de risco para o futuro da companhia.

Relatórios de bancos como JP Morgan e Citi apontam que, embora haja espaço para melhora com a entrada de um investidor estratégico, a baixa visibilidade sobre a execução e o elevado endividamento mantêm o caso sob cautela.

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