O fundo do poço é aqui? Ibovespa cai para os 98 mil pontos, o pior nível desde 2020

Ao contrário das bolsas do exterior, índice do mercado brasileiro registrou perdas pela terceira sessão seguida, afetado pela queda das commodities
Ao contrário das bolsas do exterior, índice do mercado brasileiro registrou perdas pela terceira sessão seguida, afetado pela queda das commodities (NurPhoto/Getty Images)
Ao contrário das bolsas do exterior, índice do mercado brasileiro registrou perdas pela terceira sessão seguida, afetado pela queda das commodities (NurPhoto/Getty Images)
Por Bianca Alvarenga, Beatriz QuesadaPublicado em 23/06/2022 18:25 | Última atualização em 23/06/2022 19:11Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Ibovespa hoje: mais uma vez na contramão do exterior, o principal índice da bolsa brasileira terminou o dia com perdas, pressionado pelas ações dos grandes bancos e pelo cenário fiscal. Aos 98 mil pontos, o Ibovespa alcançou o pior nível desde novembro de 2020.

Nos Estados Unidos e Europa, os mercados subiram nesta quinta-feira, 23, buscando uma recuperação dos últimos pregões de queda e de volatilidade causados pelo temor de uma recessão global.

A grande preocupação é de que o ciclo de aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) prejudique a economia americana e, consequentemente, a economia global. Na última semana, a autoridade monetária dos EUA elevou a taxa de juro em 0,75 ponto percentual (p.p.), maior aumento em quatro décadas

Na véspera, houve algum alívio nos mercados após Jerome Powell, presidente do Fed, afirmar ao Senado que a economia dos EUA estava forte e preparada para o ciclo de aperto monetário. Por outro lado, o dirigente do Fed admitiu que a recessão é uma “possibilidade”. 

  • Dow Jones (EUA): + 0,64%
  • S&P 500 (EUA): + 0,95%
  • Nasdaq (EUA): + 1,62%

Na contramão da bolsa, o dólar subiu mais de 1% e chegou aos R$ 5,23. Trata-se da maior cotação em mais de cinco meses.

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Destaques de ações

Por aqui, o cenário de recessão global afetou o desempenho das maiores ações do Ibovespa. Vale (VALE3) e siderúrgicas estendem as quedas da véspera — mesmo com a recuperação do minério de ferro no exterior nesta quinta. Vale lembrar que os papéis da Vale representam, sozinhos, quase 16% da carteira teórica do Ibovespa.  

As ações do setor bancário, que também estão entre as maiores composições do índice, recuam em bloco e adicionam pressão ao Ibovespa. O destaque negativo fica com Itaú (ITUB4), que cai quase 2% e fica entre as principais baixas do dia.

  • Itaú (ITUB4): - 2,29%
  • Bradesco (BBDC4): - 2,64%
  • Santander (SANB11): - 2,25%
  • Banco do Brasil (BBAS3): - 0,60%

No cenário local, investidores ainda monitoram de perto a crise em torno dos preços dos combustíveis e como a medida pode impactar as contas públicas e a Petrobras (PETR3/PETR4)

Para conter a escalada de preços em ano eleitoral, o governo discute um auxílio para caminhoneiros entre R$ 600 a R$ 1 mil por mês, após a proposta inicial de R$ 400 mensais ter desagradado os representantes da categoria. A medida pode ser regulamentada via decreto de estado de emergência, única forma de driblar as restrições impostas pela lei eleitoral, que impede a criação e a ampliação de programas sociais em ano de eleição. O aumento de gastos pressiona o cenário fiscal brasileiro e diminui o potencial de alta do Ibovespa.

Em relação à Petrobras, a ameaça de instalação de uma CPI ficou travada no Congresso, ainda sem conseguir as assinaturas necessárias para início da investigação. Defendida por Jair Bolsonaro, a CPI investigaria a política de preços da estatal, condenada pelo governo. 

Vale lembrar que a União é o maior acionista da Petrobras e que os preços já vêm sendo represados a pedido do governo — a companhia adota um intervalo mais longo nos repasses. Cálculos do analista Pedro Soares, do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), mostram que a Petrobras perde R$ 7,5 bilhões de Ebitda a cada US$ 15 dólares de defasagem de preços.

Já no campo positivo, os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) foram destaque. Na contramão do índice, as ações subiram 4% e acumulam ganhos na semana.

O saldo positivo é um ponto fora da curva, já que, nos últimos 12 meses, a cotação do MGLU3 acumula perdas de quase 90%. A empresa vale em torno de R$ 17 bilhões na bolsa atualmente — no auge, em novembro de 2020, o Magalu chegou a um valor de mercado de R$ 165 bilhões.

Apesar do momento favorável, analistas recomendam cautela com o papel, uma vez que as perspectivas para médio e longo prazo são desafiadoras. O cenário de juros altos e inflação resistente têm afetado as receitas das empresas do varejo.