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O efeito Mounjaro na Azul: 'economia de R$ 3 milhões', diz CEO

John Rodgerson afirma que a perda média de 2 quilos por passageiro reduziria o consumo de combustível em um momento de forte alta dos custos do setor aéreo

John Rodgerson, CEO da Azul: "Se cada cliente perde 2 quilos, que é o que está acontecendo, vamos economizar R$ 3 milhões por mês" (Divulgação)

John Rodgerson, CEO da Azul: "Se cada cliente perde 2 quilos, que é o que está acontecendo, vamos economizar R$ 3 milhões por mês" (Divulgação)

Publicado em 9 de junho de 2026 às 16h42.

As canetas emagrecedoras já começam a produzir efeitos que vão além da saúde e do varejo. Para a Azul, a popularização dos medicamentos à base de GLP-1, das chamadas canetas emagrecedoras, pode, inclusive, ajudar a reduzir o combustível, um dos principais custos da aviação. De acordo com CEO da Azul, John Rodgerson, a perda de peso dos passeiros da companhia aérea deve levar a uma economia milionária.

"Se cada cliente perde 2 quilos, que é o que está acontecendo, vamos economizar R$ 3 milhões por mês", disse o executivo durante painel sobre escala, acesso e transformação sistêmica do evento da Pague Menos e do Itaú BBA realizado nesta terça-feira, 9, sobre os impactos desses medicamentos.

A declaração ganha relevância em um momento particularmente delicado para as companhias aéreas. O combustível representava cerca de 30% dos custos da Azul, segundo Rodgerson, mas esse peso aumentou significativamente com a disparada recente dos preços do querosene de aviação em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

"Eu sou o maior promotor da caneta que existe, porque o custo do combustível é mais caro do mundo aqui no Brasil e dobrou nos últimos três meses por causa da guerra", afirmou.

Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), a alta dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio deverá elevar em US$ 100 bilhões os gastos globais das companhias aéreas neste ano. O preço do insumo acumula alta de 70% em relação ao ano passado, o que deve reduzir pela metade o lucro do setor em 2026, de US$ 45 bilhões para US$ 26 bilhões.

Na América Latina, a expectativa é de que o lucro das empresas aéreas caia de US$ 1,9 bilhão em 2025 para US$ 1,2 bilhão em 2026.

Diante disso, o CEO observa que qualquer redução de peso transportado passa a ter impacto financeiro relevante. Hoje, as companhias aéreas tradicionalmente monitoram até detalhes mínimos para economizar combustível. "Parece pequeno, mas olhamos a gramatura da revista a bordo para tentar economizar combustível", disse.

Azul revê sua operação

A pressão dos custos já tem levado a Azul a rever sua operação. Em entrevista à EXAME nesta semana, o executivo afirmou que a companhia já reduziu cerca de 5% de sua oferta de voos em 2026 e não descarta novos ajustes caso os preços do combustível permaneçam elevados. "Se a guerra não acabar, você vai voar rotas que não são rentáveis, e isso não faz sentido. Só vai queimar caixa fazendo isso", afirmou à reportagem.

Segundo o CEO, os voos regionais estão entre os mais afetados, já que o combustível representa uma parcela ainda maior dos custos nessas operações. A empresa tem ajustado frequências e utilizado aeronaves menores em determinadas rotas para preservar a rentabilidade.

Para Rodgerson, os efeitos do GLP-1, contudo, podem ajudar na economia operacional, mas também na ampliação da base de clientes. O executivo afirmou que usuários dos medicamentos estão mais dispostos a viajar e relatou até casos de passageiros que realizam viagens internacionais para comprar os produtos a preços mais baixos no exterior. "É interessante como o mundo ao redor da gente está mudando só por causa dessa nova coisa que está acontecendo", afirmou.

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