CEO Greg Abel: "Você vai sentir o momento, vai sentir que há uma proposta de valor sólida. Aí agimos de forma decisiva, rapidamente e com capital significativo." (Mitchel Diniz)
Editor de Invest
Publicado em 2 de maio de 2026 às 13h17.
Última atualização em 16 de maio de 2026 às 10h22.
No encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway, realizado neste sábado, 2, em Omaha, o CEO Greg Abel rejeitou a leitura de que o caixa recorde de US$ 397 bilhões da empresa represente inércia. Para ele, a posição em dinheiro e títulos do Tesouro americano é, ela própria, um ativo estratégico.
Abel explicou que o caixa acumulado não é um recurso à espera de destino, mas uma ferramenta que preserva a capacidade de agir com força quando surge a oportunidade certa.
Para isso, explica, a empresa segue critérios rígidos antes de investir: entender profundamente o negócio, ter uma visão clara das perspectivas econômicas para os próximos cinco a dez anos e confiar na equipe de gestão. Só então o capital é alocado em escala.
"Você vai sentir o momento, vai sentir que há uma proposta de valor sólida. Aí agimos de forma decisiva, rapidamente e com capital significativo."
A mesma lógica foi reforçada quando um acionista questionou como investidores de longo prazo devem pensar em alocação de capital num cenário em que a paciência tem um custo real — afinal, com juros mais altos, o dinheiro parado rende, mas boas empresas também ficaram mais caras.
Abel reconheceu o dilema, mas manteve a posição: "Não é que não vemos empresas excepcionais por aí. E adoraríamos te-las. Mas o preço em relação à oportunidade, às perspectivas econômicas e aos riscos relacionados — não temos interesse em adquirir essas empresas a esse preço."
Para Abel, a espera não é passividade. É preparação. "Haverá momentos de ruptura nos mercados que vão nos permitir agir. É para isso que passamos nosso tempo nos preparando."