Invest

O detalhe no balanço da Ambev que fez a ação subir mais de 10%

Volume de cerveja no Brasil cresceu 1,2% no 1T26, superando a Heineken e as estimativas do mercado

Ambev investe R$ 300 milhões para produção de cerveja premium no Nordeste (Ambev/Divulgação)

Ambev investe R$ 300 milhões para produção de cerveja premium no Nordeste (Ambev/Divulgação)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 5 de maio de 2026 às 11h29.

Última atualização em 5 de maio de 2026 às 16h35.

As ações da Ambev (ABEV3) sobem mais de 14% nas primeiras horas do pregão desta terça-feira, 5. Ainda há um longo dia pela frente, mas com uma alta dessa magnitude, o papel pode registrar uma alta diária que não era vista desde 2008.

A Ambev reportou nesta terça-feira, 5, resultados do primeiro trimestre de 2026 acima das expectativas, com o EBITDA ajustado consolidado somando R$ 7,46 bilhões — alta de 3% ante o mesmo período de 2025, 7% acima da estimativa do Safra e 4% acima do consenso de mercado. O destaque foi a divisão de Cerveja Brasil, que surpreendeu com crescimento de volume de 1,2% na comparação anual, superando a Heineken, que reportou queda de dígito simples no mesmo período.

O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) que intitulou seu relatório de "Hat Trick" — em referência ao terceiro trimestre consecutivo de superação de estimativas —, apontou que o EBITDA de Cerveja Brasil sozinho respondeu por 80% da superação de resultados da companhia no trimestre, totalizando R$ 3,9 bilhões, 11% acima da projeção da casa.

O que puxou o resultado

O crescimento de volume foi liderado pelas marcas premium e superpremium. Stella Artois, Corona e Original cresceram na casa dos 20%, enquanto o segmento escolhas balanceadas, que inclui Stella Pure Gold e Michelob Ultra, avançou próximo de 70%.

A receita por hectolitro subiu 8% na comparação anual, acima da inflação do setor de cervejas no Brasil. O BTG destacou que a combinação de volume e precificação no trimestre foi a mais forte em anos.

O que não foi bem

O CAC — Caribe e América Central — foi a única divisão a decepcionar. Os volumes caíram 7% por conta do ambiente macroeconômico fraco no Panamá e na República Dominicana, e a receita líquida recuou 15% na comparação anual.

No Brasil, as cervejas das categorias popular e econômica registraram queda de dígito simples, pressionadas pelo clima desfavorável no trimestre. O segmento de bebidas não alcoólicas também veio abaixo do esperado, com volumes caindo 4%.

As despesas financeiras líquidas pioraram 23% na comparação anual, impactadas por efeitos de câmbio e marcação a mercado relacionados a compras de dólar na Bolívia e à valorização do peso dominicano.
O Safra alertou que parte da melhora em SG&A (despesas gerais e administrativas) que contribuiu para a expansão de margens não deve se repetir nos próximos trimestres, por conta de despesas relacionadas à Copa do Mundo e pagamento de bônus.

Dividendos e recomendações

A Ambev anunciou o pagamento da segunda parcela de JCP referente a 2025, no valor líquido de R$ 0,0642 por ação, com pagamento em 6 de julho. Também antecipou uma distribuição referente a 2026 de R$ 0,037 por ação, a ser paga em 31 de dezembro.

BTG e Safra divergem sobre o papel. O BTG mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 17,00.

O Safra permanece com "underperform" e alvo de R$ 16,00, citando valuation com prêmio de 10% sobre os pares e desafios estruturais de longo prazo no setor.

As duas casas reconhecem, porém, que o momento positivo de resultados pode beneficiar a ação no curto prazo.

Acompanhe tudo sobre:AmbevBalançosCervejas

Mais de Invest

Vale a pena trocar as 'caixinhas' das fintechs pelo Tesouro Reserva?

Enjoei decide encerrar Elo7, marketplace de produtos artesanais

Endivididados pretendem fazer novos gastos durante a Copa, revela estudo

B3 vê agro e infraestrutura puxando 'fila de 50 IPOs' após Compass