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O Brasil também tem 'Sete Magníficas': veja lista do Bank of America

Relatório do BofA contrapõe as "Sete Magníficas" às "Sete Inesquecíveis" e detalha desempenho das ações

Bank of America: as "Magníficas" locais reúnem empresas com maior capacidade de expansão, escala e rentabilidade, segundo o banco americano (Mercado Livre/Divulgação)

Bank of America: as "Magníficas" locais reúnem empresas com maior capacidade de expansão, escala e rentabilidade, segundo o banco americano (Mercado Livre/Divulgação)

Publicado em 23 de abril de 2026 às 05h00.

O Bank of America (BofA) decidiu adaptar ao Brasil um dos rótulos mais conhecidos de Wall Street para organizar sua leitura sobre a bolsa com a divisão entre empresas de crescimento e de valor. Em relatório recente sobre ações da América Latina, o banco apresenta sua versão sobre quais seriam as "Sete Magníficas brasileiras", em referência ao grupo de gigantes de tecnologia dos Estados Unidos, como Apple, Microsoft e Nvidia.

No caso brasileiro, o critério não é o setor, mas o perfil de crescimento. As "Magníficas" locais reúnem empresas com maior capacidade de expansão, escala e rentabilidade, segundo o banco americano.

O grupo é formado por Mercado Livre (MELI34), Nubank (ROXO34), WEG (WEGE3), BTG Pactual (BPAC11), Raia Drogasil (RADL3), Localiza (RENT3) e Itaú Unibanco (ITUB4).

Um ponto fora da curva é a inclusão do Mercado Livre, empresa de origem argentina e listada nos EUA. O BofA justifica a escolha dessa e das demais empresas pelo peso do Brasil em suas operações, que no caso do Meli é o seu principal mercado, e por critérios como origem de receita e risco.

No ano passado, a companhia encerrou com uma receita líquida de US$ 8,8 bilhões, uma alta de 45%, e crescimento de 37% no volume de vendas, mesmo com pressão de margens devido ao ritmo elevado de investimentos.

O Nubank também combina crescimento e rentabilidade. O lucro líquido de US$ 894,8 milhões no quarto trimestre representou um aumento de 50% em um ano, e ROE anual da instituição financeira foi recorde de 33%, com base de 131 milhões de clientes.

Entre os bancos, o Itaú registrou lucro recorrente de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre, alta de 13,2% em um ano, com ROE de 24,4%. Já o BTG Pactual reportou lucro de R$ 4,6 bilhões no trimestre, avanço de 40%, e R$ 16,7 bilhões no acumulado de 2025, com forte crescimento de receitas e retorno sobre patrimônio acima de 26%.

Outras companhias do grupo reforçam o perfil de expansão. A Localiza registrou lucro de R$ 939 milhões no trimestre, um aumento de 12,1%, e crescimento de receita, enquanto a Raia Drogasil apresentou alta de 38,2% no Ebitda, apesar de leve queda no lucro.

Na semana analisada pelo relatório, até a última sexta, 17, esse conjunto de empresas avançou 0,7%, refletindo o apetite por crescimento.

As Sete Inesquecíveis do Brasil

Do outro lado estão as "Sete Inesquecíveis do Brasil", que incluem Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), JBS (JBSS32), Banco do Brasil (BBAS3), Ambev (ABEV3), Bradesco (BBDC4) e Gerdau (GGBR4). Nesse caso, o foco é outro, empresas maduras, líderes em seus setores, com forte geração de caixa e negociadas a múltiplos mais baixos.

Esse grupo carrega, segundo o Bank of America, um "viés de valor" e tende a performar melhor em ambientes de juros elevados, quando a previsibilidade de caixa e os dividendos ganham peso. Na mesma semana de referência, o desempenho foi de ligeira queda de 0,2%, abaixo das "Sete Magníficas".

A leitura do BofA é que o mercado brasileiro hoje pode ser interpretado a partir dessa divisão de crescimento estrutural versus valor, uma dinâmica que tende a guiar a alocação dos investidores conforme o ciclo de juros.

Rebalanceamento das carteiras do MSCI e Ibovespa

Depois de introduzir esse novo enquadramento, o relatório também destaca fatores técnicos que podem influenciar o comportamento das ações. No MSCI, que mede o desempenho do mercado de empresas de grande e médio porte com presença global e em países desenvolvidos e será revisado no dia 12 de maio, a expectativa é de impacto levemente negativo para a América Latina, com efeito limitado para o Brasil.

Entre as possíveis mudanças, aparecem a inclusão de ações do Itaú e da Aura Minerals (AURA33), enquanto Totvs (TOTS3) pode sair do índice.

No Ibovespa, a B3 divulga a prévia final em 24 de abril, com expectativa de entrada da Tenda (TEND3) e exclusão de papéis como IRB Brasil (IRBR3).

De acordo com a segunda prévia da carteira teórica do Ibovespa para o período de maio a agosto de 2026, divulgada na semana passada pela B3, a controladora da bolsa de valores do Brasil, na semana passada, a nova composição mantém a exclusão de IRB Brasil (IRBR3) e das classes especiais de Cyrela (CYRE4), Localiza e Axia Energia (AXIA7).

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