Nubank, IRB e Petz: altas desafiam as maiores posições vendidas da bolsa?

Resultados recentes contribuem com melhor momento dos papéis, apesar de apostas contrárias do mercado
Urso, o oposto do touro, é símbolo do mercado em queda (Getty Images/sesame)
Urso, o oposto do touro, é símbolo do mercado em queda (Getty Images/sesame)
Por Guilherme GuilhermePublicado em 17/05/2022 10:38 | Última atualização em 17/05/2022 11:08Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O aperto das políticas monetárias e a piora das perspectivas econômicas elevaram as incertezas sobre a capacidade de entrega de empresas com promessas de crescimento exponencial. Big techs americanas perderam trilhões de dólares em valor de mercado desde o início do ano. Quem apostou na queda das ações, ganhou dinheiro. Efeito semelhante tem ocorrido no mercado brasileiro.

Os BDRs do Nubank e as ações do Petz são os ativos mais caros da bolsa brasileira para formação de posições vendidas, tamanha a demanda para as apostas de queda.

Montar uma posição vendida envolve alugar as ações de algum investidor que a tenha, vendê-la imediatamente no mercado, comprá-la futuramente a um preço mais barato (ou mais caro, se der errado) e devolvê-la ao "doador" das ações. Mas quanto maior a demanda para as posições vendidas, maior será o preço do aluguel, também chamado de "taxa de tomador".

A taxa de tomador do Petz chegou a 37,70%, segundo dados do TradeMap, enquanto a do Nubank, a 38,39%. Além do valor pago pelo aluguel das ações, altas recentes têm desafiado as apostas dos vendidos.

O Petz, que tocou mínima histórica após a apresentação do balanço do primeiro trimestre, já subiu 17% desde o início da última semana. As ações da rede de pet shops ainda acumulam queda de 15%, mas o contínuo crescimento tem apertado os múltiplos da companhia, tornando-a mais atrativa do ponto de vista de investidores. O lucro líquido ajustado da companhia saltou 57,7% frente ao três primeiros meses de 2021.

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O Nubank, que desabou 60% no ano, rendeu fortunas para quem apostou na queda - mesmo descontado a taxa de aluguel. Mas o resultado pode começar a se inverter. Nesta terça-feira, as ações da companhia saltam mais de 11%, após a divulgação do balanço do primeiro trimestre.

A fintech deu US$ 10,1 milhões de lucro líquido ajustado, revertendo o prejuízo de US$ 11,9 milhões do mesmo período do ano passado. A receita neutra de efeitos cambiais saltou 226% para US$ 877 milhões, sendo que a receita mensal média por cliente ativo cresceu 63% para US$ 6,7. O aumento da base de clientes ativos em 82% para 46,5 milhões teve um papel importante nessa conta. O número total de clientes terminou o primeiro trimestre em 59,6 milhões, sendo 57,3 milhões no Brasil.

O elogiado resultado da companhia joga ainda mais pressão sobre os custos de investidores com posições vendidas em Nubank. Vale ressaltar que as apostas de queda são expostas a perdas superiores a 100% do valor investido. Por isso, parte investidores coloquem travas para limitar possíveis perdas com a alta das ações. Se o preço acionar esta trava, a posição vendida é automaticamente fechada, aumentando ainda mais a demanda pelos papéis -- já que antes de devolver para o tomador é preciso comprar a ação no mercado.

Esse efeito espremedor sobre os vendidos é conhecido pelo termo "short squeeze" e já ocorreu diversas vezes (intencionalmente ou não). Um dos casos mais simbólicos foi o da GameStop, que resultou em uma disparada de mais de 2.000%, após pequenos investidores se organizarem pelo Reddit para comprar as ações da empresa, que vinha com grandes posições vendidas.

Tentativa parecida ocorreu com as ações do IRB Brasil no ano passado, quando investidores se juntaram por meio do Telegram para tentar "bombar" a ação. Mas a tentativa foi fracassada. Desde o ano passado, as ações tombaram 66% e até hoje o IRB está entre as maiores apostas de queda da bolsa. Sua taxa de tomador estava em 21,13%, de acordo com o TradeMap.

Embora não tenha expectativas de crescimento como Petz ou Nubank, a perda de credibilidade motivou a visão negativa do mercado sobre a empresa. Problemas de governança e até rumores falsos sobre a participação do megainvestidor Warren Buffett no negócio assombraram o IRB nos últimos anos. Mas o balanço da empresa divulgado na última noite pode alterar essa perspectiva. O lucro líquido do IRB Brasil deu lucro líquido de R$ 80,5 milhões no primeiro trimestre, contrariando o consenso de mercado de R$ 10,7 milhões de prejuízo. As ações da resseguradora abriram em alta de 3% nesta terça, passando a acumular quase 8% de alta nos últimos quatro pregões.