Nubank: BDRs (NUBR33) recuam 4% com fechamento de capital no Brasil

Fintech irá passar por reestruturação de BDRs com foco em ganho de eficiência; analistas contestam mudança
Menos de um ano após listagem na B3, Nubank (NUBR33) vai fechar capital no Brasil (Cauê Diniz/B3/Divulgação)
Menos de um ano após listagem na B3, Nubank (NUBR33) vai fechar capital no Brasil (Cauê Diniz/B3/Divulgação)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 16/09/2022 às 14:32.

Última atualização em 16/09/2022 às 20:07.

Os BDRs do Nubank (NUBR33) fecharam esta sexta-feira, 16, em queda de 4,2% um dia após a companhia anunciar sua intenção de fechar o capital no Brasil. No pregão desta sexta, as ações do Nubank também recuaram, e caíram 4,17% em um dia de perdas generalizadas na bolsa americana.

Com o movimento, a fintech deixa de ser listada como companhia de capital aberto na B3, e mantém o status apenas na bolsa de Nova Iorque (NYSE).

Isso significa que os BDRs da companhia hoje listados na B3 vão sair do Nível III, reservado a companhias listadas localmente, e migram para o Nível I, no qual não é necessário o registro de listagem local. 

Para o investidor que detém os BDRs, pouco muda e os papéis continuam valendo ⅙ das ações listadas nos Estados Unidos. É possível, no entanto, que a reestruturação tire parte da liquidez das negociações no Brasil, segundo o Itaú BBA.

Vale lembrar que a listagem na B3 foi o que permitiu a participação dos investidores brasileiros na abertura de capital (IPO) da empresa. Menos de um ano depois, o Nubank justificou a saída da bolsa brasileira com a busca por eficiência. A mudança deve permitir que a empresa “reduza processos duplicados em várias jurisdições”.

“A justificativa citada é reduzir a complexidade de ‘relatórios’ que o Nível III exige sob a regulamentação brasileira – como, por exemplo, arquivamentos detalhados trimestrais (ITRs) em reais. No entanto, a economia de custo em não ter que cumprir essa exigência não foi quantificada pela empresa”, afirmam, em nota, os analistas do Itaú BBA.

A conclusão do banco é que não há benefícios tangíveis na mudança. “Julgamos [a reestruturação como] negativa para os acionistas minoritários locais e para a governança corporativa”, afirmam.

O preço-alvo dos analistas para as ações do Nubank é de US$ 3,5 – valor 36% abaixo do que a ação era negociada no último pregão. 

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