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Nubank: analistas seguem divididos após resultado. Vale investir?

Fintech reportou primeiro lucro depois do IPO, com receita segue recorde e inadimplência em alta

Bandeira com o logo do Nubank na frente do prédio da Bolsa de Nova York, no dia de estreia das ações da companhia (Nubank/Divulgação)

Bandeira com o logo do Nubank na frente do prédio da Bolsa de Nova York, no dia de estreia das ações da companhia (Nubank/Divulgação)

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Beatriz Quesada

Publicado em 17 de novembro de 2022, 06h45.

O Nubank (NU; NUBR33) apresentou, no terceiro trimestre, seu primeiro resultado com lucro líquido desde a abertura de capital em dezembro do ano passado. O número ficou acima das expectativas dos analistas, que esperavam mais três meses de prejuízo. 

O balanço, no entanto, deu munição tanto aos entusiastas quanto aos críticos do papel. De um lado, o Nubank segue crescendo a um ritmo acelerado e mostrou que seu modelo de negócios pode ser rentável. De outro, analistas se preocupam com o aumento da inadimplência, especialmente em empréstimos sem garantia que são o carro-chefe da fintech – e os primeiros a sofrer o impacto do cenário macroeconômico.

O saldo final são recomendações mistas, com alguns analistas recomendando compra enquanto outros seguem receosos. Veja abaixo o que analistas pensam sobre o papel:

Razões para investir no Nubank 

O Nubank apresentou uma receita líquida de US$ 1,3 bilhão no terceiro trimestre, um novo recorde. O crescimento sólido em receita mesmo em um ambiente de juros e inflação altos é uma das razões que levam o Goldman Sachs a recomendar a compra das ações. 

“Acreditamos que tais resultados devem dar ao mercado maior confiança de que a empresa pode executar sua estratégia, apesar do ambiente macro desafiador”, afirmaram os analistas em relatório.

De olho no potencial da empresa, o Morgan Stanley destaca que o Nubank tem vários caminhos "atraentes" para impulsionar o crescimento da receita, "incluindo uma base de clientes em rápida expansão, lançamento e venda cruzada de novos produtos, novas geografias, fusões e aquisições e expansão potencial para novas verticais de negócios", informa o relatório do banco.

O UBS, por sua vez, destaca que o Nubank se saiu melhor no que tange a inadimplência, que foi, a propósito, a grande vilã nos balanços de nomes de peso do setor, como Bradesco e Santander. O índice que indica atrasos de pagamentos acima de 90 dias do Nubank avançou para 4,7% – alta de 0,6 pontos percentuais (p.p.). 

A alta da inadimplência ficou abaixo da registrada por outros bancos, como Bradesco e Banco do Brasil, que tiveram alta em torno de 1 p.p. para o indicador.

“Após a fraca qualidade dos ativos apresentada por diversos bancos brasileiros de grande capitalização, o aumento do índice de inadimplência de 0,6 ponto percentual no trimestre não foi de uma magnitude que deveria surpreender negativamente os investidores”, avaliam os analistas do UBS.

A expectativa do UBS é que os resultados sejam um catalisador para as ações do Nubank. O banco tem preço-alvo de US$ 8 para o papel. Morgan estima um preço de US$ 12,50, enquanto Goldman tem preço-alvo de US$ 11. As ações da fintech encerraram o último pregão cotadas a US$ 4,78, o que representaria um potencial de valorização (upside) de, no máximo, 161%.

Razões para não investir no Nubank

Porém, a interpretação sobre a condução da inadimplência gerou discordâncias entre analistas. Os mais céticos com as ações defendem que o Nubank está apresentando uma tendência preocupante de inadimplência nos segmentos mais arriscados de sua carteira.

“Estamos vendo uma piora significativa nas linhas de consumo sem garantia, como cartão de crédito e empréstimo pessoal, que são os principais produtos do Nubank. Na qualidade dos ativos, notamos uma deterioração mais preocupante, refletida nas baixas e na formação de um novo estágio 3 [nível mais arriscado], especialmente em empréstimos”, defendem os analistas do JPMorgan

A opinião é compartilhada pelo Itaú BBA. Ambos destacam que o valuation da fintech segue muito elevado. “A desaceleração da carteira de empréstimos mostra que os desafios de crédito crescem tão rápido (e ficam tão grandes) quanto os altos múltiplos ricos exigem”, dizem os analistas do BBA.

O preço-alvo do banco para os papéis é de US$ 3,50, enquanto o JP vê a ação a US$ 4,55. Considerando o preço-atual das ações, as estimativas representam um potencial de desvalorização de até 26%.

Em cima do muro

O Bank of America (BofA), por outro lado, tem recomendação neutra para os papéis. Os analistas seguem preocupados com a deterioração da qualidade do crédito, mesmo considerando as tendências positivas de engajamento e monetização da base.

“A taxa de eficiência melhorou para um nível mais baixo de todos os tempos. Por outro lado, a originação de crédito pessoal desacelerou devido à contínua deterioração da qualidade dos ativos, enquanto a administração observou que a visibilidade econômica permanece baixa e que a rentabilidade pode ser pressionada nos próximos trimestres”, afirmam em relatório.

O banco tem preço-alvo de US$ 5,50 para as ações do Nubank – um upside de 15%.

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