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Novo remédio da dona do Ozempic fica para trás em disputa com Mounjaro

CagriSema, da Novo Nordisk, teve desempenho inferior ao medicamento da Eli Lily em estudos clínicos

Novo Nordisk: farmacêutica dona do Ozempic tem revés em novo medicamento. (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)

Novo Nordisk: farmacêutica dona do Ozempic tem revés em novo medicamento. (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 11h08.

Última atualização em 23 de fevereiro de 2026 às 11h12.

As ações da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk caíram 15% nesta segunda-feira, 23, no menor nível desde junho de 2021. O motivo está atrelado ao seu novo remédio de emagrecimento, CagriSema, que não conseguiu comprovar que é tão eficaz quanto a tirzepatida, desenvolvida pela concorrente Eli Lilly.

Os papéis da Novo Nordisk, dona do Ozempic e do Wegovy, recuaram para 256 coroas dinamarquesas (US$ 40,37 dólares aproximadamente) em Copenhague, ao passo que as ações da Eli Lilly, dona do Mounjaro e Zepbound, subiram 3,5% no pré-mercado em Nova York, em torno de US$ 1.010.

Um comunicado da dinamarquesa divulgado pela CNBC mostrou que o estudo clínico de 84 semanas evidenciou que pacientes tratados com 2,4 miligramas (mg) de CagriSema — combinação dos princípios ativos semaglutida e cagrilintida — registraram perda média de peso de 23%.

O resultado, porém, ficou abaixo dos 25,5% observados entre os pacientes que receberam 15 mg de tirzepatida, da Eli Lilly. O baque veio em um contexto em que o CagriSema era apontado como uma das principais apostas da farmacêutica para sustentar a liderança no mercado de obesidade.

Isso ocorre no momento em que o Zepbound, da rival americana, já supera o Ozempic e o Wegovy em número de prescrições nos Estados Unidos (EUA), segundo fontes ouvidas pela CNBC.

"CagriSema tem potencial", diz diretor

O diretor-científico da Novo Nordisk, Martin Holst Lange, afirmou, ainda assim, que o CagriSema tem potencial para se tornar o primeiro tratamento combinado dos hormônios GLP-1 e amilina aprovado para obesidade.

Para o executivo, a solução desenvolvida pela Novo Nordisk proporciona efeitos adicionais de perda de peso clinicamente relevantes, superiores aos observados apenas com a ação do GLP-1.

A empresa informou, também, que pretende conduzir novos ensaios para explorar o potencial máximo do medicamento, incluindo testes com doses mais elevadas e diferentes combinações.

Desempenho é nova tensão para Novo Nordisk

O desempenho mais fraco no ensaio clínico é visto como mais um momento de tensão para a Novo Nordisk, cujas ações já acumulavam queda de quase 50% ao longo de 2025. Além da pressão competitiva da Eli Lilly, a farmacêutica enfrenta um ambiente de preços mais baixos nos EUA.

Também pesa a perda de exclusividade de patentes do Wegovy e do Ozempic em alguns mercados, como o Brasil. Neste cenário, a companhia projetou, no início do mês, que o crescimento de vendas e lucros deverá desacelerar, com variação estimada entre 5% e 13% em 2026.

Corrida contra obesidade está acirrada

Sobre o atual momento de volatilidade e revisão das expectativas de crescimento, o CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, afirmou à CNBC, no início do mês, que os investidores precisam se preparar para novas oscilações. "As pessoas devem esperar uma queda (nas ações) antes de uma recuperação."

A empresa segue com fortes esperanças para o medicamento CagriSema. Todavia, o desempenho das ações registrado hoje reforça a leitura de que a corrida pelo domínio global dos tratamentos contra a obesidade ficou mais acirrada e mais desafiadora para os players que atuam no mercado.

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