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Nike arrumou a casa — mas ainda não convenceu o investidor

Mesmo após reformulação interna e novo CFO, ceticismo de Wall Street derruba ações da Nike em 2026

Crise na Nike: mercado segue desconfiado sobre recuperação da gigante. (Unsplash)

Crise na Nike: mercado segue desconfiado sobre recuperação da gigante. (Unsplash)

Paulo Holland
Paulo Holland

Repórter freelancer

Publicado em 27 de junho de 2026 às 09h30.

Apesar dos esforços da Nike para se reestruturar e recuperar o fôlego global, Wall Street permanece desconfiada sobre a velocidade e a eficácia dessa reviravolta. Recentemente, a gigante esportiva anunciou mudanças importantes em sua liderança estratégica sob o comando do CEO Elliott Hill, incluindo a contratação de David Denton (ex-Pfizer) como novo CFO. Além disso, a empresa tem tentado promover maior inovação em suas linhas de produtos e retornar a estratégias tradicionais de varejo por meio do plano de ação "Win Now".

No entanto, o mercado financeiro avalia que essas medidas ainda não são suficientes para garantir uma recuperação rápida. A agência KeyBanc rebaixou a recomendação das ações da Nike de overweight (compra) para sector weight (neutro), justificando que, embora existam sinais de progresso, eles caminham de forma lenta.

Esse ceticismo é compartilhado pela maioria: dos 41 analistas que cobrem a empresa, 23 mantêm recomendação neutra (hold).

Especialistas apontam que a fraqueza operacional deve persistir pelos próximos trimestres por dois motivos centrais:

  • Curva de aprendizado e tempo de resposta: A escolha de um CFO vindo de fora do setor de vestuário esportivo impõe uma curva de aprendizado inicial, enquanto os ciclos de inovação e reformulação de produtos exigem tempo para maturar e acompanhar as rápidas mudanças nas tendências de consumo.

  • Desempenho fraco em mercados-chave: A empresa projeta uma queda de 2% a 4% nas vendas do quarto trimestre fiscal, puxada principalmente pela perda de tração e pressão econômica no mercado da China.

Com as ações acumulando uma queda de 36% apenas em 2026 — e um recuo de aproximadamente 75% nos últimos cinco anos —, analistas alertam que os papéis da companhia devem continuar operando lateralizados até que gatilhos fundamentais positivos apareçam.

Para reconquistar a confiança dos investidores, a Nike precisará apresentar resultados consistentes e provar de forma prática que está de fato liderando o mercado novamente.

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