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'Nenhum impacto negativo do macro', diz RI do Meli, sobre balanço

Número de itens vendidos no Brasil pela plataforma cresceram 56% no primeiro trimestre de 2026

Richard Cathcart, diretor de RI do Meli: transição do varejo físico para o on-line é alavanca de crescimento

Richard Cathcart, diretor de RI do Meli: transição do varejo físico para o on-line é alavanca de crescimento

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 7 de maio de 2026 às 17h00.

Última atualização em 7 de maio de 2026 às 17h03.

O aumento da inadimplência e a menor disponibilidade de renda têm sido temas recorrentes na atual temporada de resultados das empresas. Mas o balanço do Mercado Livre no primeiro trimestre de 2026 mostra uma fotografia diferente do que a que tem sido passada até então.

No Brasil, os itens vendidos pela plataforma de e-commerce cresceram 56% na comparação anual entre janeiro e março, e o número de compradores únicos ativos na plataforma avançou 32% no mesmo período. "A gente não está sentindo nenhum impacto negativo de questões macro, de falta de renda", disse Richard Cathcart, diretor de relações com investidores da companhia, à EXAME.

Para Cathcart, o desempenho reflete menos uma blindagem ao ambiente econômico e mais a natureza estrutural do mercado em que a empresa atua. "A vantagem que temos é que estamos explorando uma alavanca de um tema de crescimento estrutural, ou seja, a transição do varejo físico para o varejo online", afirmou.

No Mercado Pago, os números também parecem desafiar o cenário de juros em dois dígitos. A carteira de crédito total encerrou março em US$ 14,6 bilhões, alta de 87% sobre os US$ 7,8 bilhões de um ano antes.

"A gente não está vendo nenhuma redução de demanda de crédito", disse. O executivo reconheceu, no entanto, que o desafio não está em captar tomadores, mas em selecionar bem. "A demanda é até infinita, mas sua capacidade de receber de volta não é infinita. A gente coloca muito trabalho nisso, usando modelos para tomar essas decisões de forma sofisticada."

A carteira de cartão de crédito, que mais cresce dentro do portfólio, quase triplicou na comparação anual, de US$ 3,2 bilhões para US$ 6,6 bilhões. Foram emitidos 2,7 milhões de cartões só no trimestre.

O executivo também destacou a inadimplência como um indicador monitorado de perto. No cartão de crédito no Brasil, carteira que mais cresce dentro do Mercado Pago, o índice de inadimplência melhorou 80 pontos-base na comparação com o primeiro trimestre de 2025.

"Isso mostra a nossa capacidade de alavancar os dados e a tecnologia para fazer decisões muito boas sobre quem a gente vai oferecer crédito", disse Cathcart.

Os usuários ativos mensais do braço financeiro da empresa cresceram 29%, chegando a 83 milhões.

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