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Natura faz acordo de US$ 67 milhões sobre caso de amianto em talco da Avon

Companhia diz que impacto financeiro do acordo será neutralizado por vendas de ativos da Avon

Natura: companhia fecha acordo de processo sobre amianto em talco (Michal Fludra/Getty Images)

Natura: companhia fecha acordo de processo sobre amianto em talco (Michal Fludra/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 10h14.

A Natura (NATU3) informou ao mercado, por meio de comunicado, que decidiu encerrar de forma definitiva o caso judicial conhecido como “Chapman”, nos Estados Unidos, envolvendo a Avon Products e alegações de contaminação por amianto em produtos de talco.

O processo tramitava na Califórnia e teve sentença desfavorável à Avon em primeira instância, decisão que foi confirmada pela Corte de Apelação do estado. O valor atualizado da condenação seria de aproximadamente US$ 68,8 milhões.

Diante desse cenário, a companhia optou por firmar um acordo para encerrar o caso mediante pagamento de US$ 67 milhões — montante que já estava provisionado nas demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2025, na linha de operações descontinuadas.

Como a Natura entrou nessa história?

O caso remonta ao processo de Chapter 11 (recuperação judicial nos EUA) da Avon. No âmbito desse processo, uma subsidiária da Natura, a Natura&Co Luxembourg Holdings, contratou um seguro garantia atrelado ao recurso apresentado pela Avon no caso Chapman.

"Para viabilizar a contratação deste seguro, a referida subsidiária assumiu a responsabilidade pelo pagamento de eventual condenação neste caso", informa o comunicado.

Na prática, isso significa que, caso a decisão final fosse desfavorável — como acabou sendo —, a estrutura montada no seguro garantia garantiria o pagamento da indenização.

Dinheiro das vendas de ativos

O pagamento será feito em 6 de março de 2026. Segundo a companhia, o impacto financeiro será majoritariamente compensado por dois movimentos recentes:

Esses valores ajudam a neutralizar o efeito de caixa do acordo, reduzindo o impacto líquido sobre a companhia.

Último processo judicial

A Natura, no entanto, reforçou que o acordo não constitui reconhecimento de culpa.

"A realização deste acordo não constitui reconhecimento de culpa ou de prática de atos irregulares da Companhia e/ou de suas Controladas e atende aos seus melhores interesses, tendo em vista as peculiaridades da legislação norte-americana, bem como o estágio processual e os elevados encargos financeiros aplicáveis", afirmou.

Com esse acordo, a empresa afirma encerrar sua última obrigação relacionada aos litígios da Avon Products.

Segundo o comunicado, este era o único processo judicial sobre o qual ainda havia responsabilidade financeira potencial. Assim, a companhia declara concluída sua participação nessa frente jurídica e reforça o foco na operação na América Latina.

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