Nasdaq caminha para seu pior ano com fim da era de juros baixos

O índice Nasdaq 100 já perdeu quase um terço de seu valor este ano, apagando cerca de US$ 5,4 trilhões em uma liquidação que deixou poucas ações ilesas
Bolsa americana: os investidores precificam mais aumentos de juros do Federal Reserve e se preocupam com uma recessão global (Spencer Platt/Getty Images)
Bolsa americana: os investidores precificam mais aumentos de juros do Federal Reserve e se preocupam com uma recessão global (Spencer Platt/Getty Images)
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BloombergPublicado em 30/06/2022 às 16:23.

Os céticos há muito tempo vêm dizendo que o rali de uma década das ações de tecnologia estava destinado a se reverter. No meio do caminho de 2022, parece que este é o ano em que ficará provado que eles tinham razão.

O índice Nasdaq 100 já perdeu quase um terço de seu valor este ano, apagando cerca de US$ 5,4 trilhões em uma liquidação que deixou poucas ações ilesas. O índice, que obtém metade de seu valor da tecnologia, está a caminho de seu pior ano de todos os tempos.

E ficou difícil apresentar argumentos convincentes para uma recuperação do mercado no segundo semestre: os investidores precificam mais aumentos de juros do Federal Reserve e se preocupam com uma recessão global. Os analistas começam a cortar as estimativas de lucro.

“A questão é que não vemos inflação assim há décadas”, disse Michael Nell, analista de investimentos sênior e gerente de portfólio da UBS Asset Management. “Desde 2009, mais ou menos, tivemos juros muito baixos que contribuíram para os anos de força que vimos. No entanto, essas taxas baixas não iriam durar para sempre.”

Alguns dos maiores vencedores dos anos de pandemia se transformaram nos piores desempenhos em 2022, entre eles o Netflix, a empresa de telemedicina Teledoc Health e empresas como Zoom e DocuSign que se beneficiaram do aumento de trabalho remoto.

Neste ritmo, o Nasdaq 100 terminaria o ano em queda de 49%, o maior colapso anual nas quase quatro décadas em que a Bloomberg acompanhou o índice. A última vez que ele teve queda anual foi 2018, quando perdeu 1%, e seu último declínio mais significativo foi em 2008. Ele teve quedas maiores entre máximas e mínimas após a bolha da internet no final dos anos 90, com tombo de 83% - e na crise de 2007-2008, quando caiu pela metade.

A liquidação este ano se espalhou por todos os setores, com o colapso de líderes de mercado de longa data. Apple, Microsoft e Alphabet perderam mais de 20%, a Amazon teve queda de 36%, a Nvidia deslizou quase 50% e a Meta perdeu mais da metade de seu valor. Índices de ações de semicondutores e software caíram cerca de um terço.

O Nasdaq 100 agora tem apenas 21 membros com valor de mercado de US$ 100 bilhões ou mais, abaixo dos 33 no final do ano passado.