Marcelo Noronha, CEO do Bradesco: "O mercado cobra mais do que os chefes, cobra mais do que o meu conselho", afirmou (Eduardo Frazão/Exame)
Repórter
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 11h41.
O Bradesco não pretende abrir mão de investimentos para acelerar resultados no curto prazo. A mensagem foi reforçada pelo CEO do banco, Marcelo Noronha, durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 6, para comentar os resultados do quarto trimestre de 2025 e o guidance para 2026.
Segundo o executivo, a estratégia do banco segue focada no ganho de competitividade ao longo do ciclo de transformação até 2028.
"A gente não vai abrir mão de investimentos para aumentar a competitividade por nada", afirmou Noronha.
O executivo destacou que o plano estratégico do banco foi desenhado com horizonte de longo prazo e tem como pilares investimentos contínuos em tecnologia, além de programas de ampliar a competividade. "Se você quiser resumir todo o plano, ele se resume no seguinte: aumentar competitividade no fundo do longo prazo", disse.
As declarações vieram em um dia de reação negativa do mercado às projeções divulgadas pelo banco. Por volta das 11h, as ações ordinárias e preferenciais do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) as duas maiores quedas do pregão, com recuos de 3,69% e 4,40%, respectivamente, mesmo com o Ibovespa em leve alta de 0,07%, aos 182.338 pontos.
Parte desse movimento reflete expectativas mais elevadas dos investidores em relação às projeções do banco para este ano.
Mais cedo, analistas do Itaú BBA destacaram a orientação para 2026 como "conservadora no ponto médio".
O banco destacou que sua estimativa de lucro de R$ 29,2 bilhões está próxima do teto da faixa indicada pelo Bradesco e lembrou que a instituição superou significativamente o ponto médio do guidance em duas ocasiões desde 2024.
Ainda segundo o Itaú BBA, a projeção de crescimento da receita de tarifas, entre 3% e 5%, e do segmento de seguros, entre 6% e 8%, parece cautelosa diante do desempenho de 2025, quando esses números avançaram 9% e 16%, respectivamente.
"O mercado cobra mais do que os chefes, cobra mais do que o meu conselho", rebateu o CEO do Bradesco. De acordo com ele, havia uma expectativa de que o banco entregasse resultados na faixa de R$ 30 bilhões ou R$ 31 bilhões em lucro, o que não está alinhado à estratégia definida pela instituição.
"Não dá para fazer isso esquecendo a competitividade. A gente não vai crescer 30% ao ano o lucro líquido direto e comprometer isso", disse.
O CEO ressaltou que o guidance divulgado prevê um intervalo e que o banco não pretende operar abaixo do retorno sobre patrimônio já alcançado. "A gente não vai entregar um ROE menor do que esse que a gente entregou aqui", afirmou, referindo-se ao Retorno sobre Patrimônio Líquido Médio (ROAE) de 15,2% registrado no quarto trimestre, que, segundo ele, tende a ser “visto para cima”.
Noronha reconheceu que, sempre que houver espaço para acelerar, o banco poderá fazê-lo, como ocorreu no último trimestre, quando o crescimento da carteira de crédito superou o ritmo observado anteriormente. Ainda assim, reforçou que a prioridade segue sendo manter a capacidade de investir e sustentar ganhos estruturais de competitividade.
O balanço do quarto trimestre mostrou lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões, levemente acima do consenso de mercado, com alta de 20,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita total somou R$ 36,1 bilhões, crescimento anual de 9,8%, impulsionada pela margem financeira total, que avançou 13,2%, para R$ 19,24 bilhões. A margem com clientes cresceu 18,4%, enquanto a margem com mercado recuou 85%.
A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,089 trilhão, com crescimento de 11% em bases anuais. O índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 4,1%. Já as despesas totais, somando gastos com pessoal e administrativos, cresceram 5,6% na comparação anual, para R$ 13,8 bilhões.