Juros: energia e materiais aparecem entre os setores mais resilientes. (Douglas Rissing/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 10h00.
O mercado já começa a se preparar para um cenário que parecia menos provável meses atrás, com a expectativa de uma nova rodada de alta de juros nos Estados Unidos. Os contratos futuros agora apontam 75% de chance de o Federal Reserve (Fed) elevar os juros de curto prazo até dezembro.
Investidores começam a buscar setores que historicamente se saem melhor nesse ambiente.
Uma sinalização mais clara sobre o momento da decisão pode vir do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, durante seu discurso em Jackson Hole na sexta-feira, 28, segundo informações da revista americana Barron's.
Dados da Barclays mostram que, desde meados dos anos 1990, energia, materiais e tecnologia estão entre os setores que melhor resistem durante ciclos de alta de juros.
O setor de energia aparece como um dos principais beneficiados. O fundo de índice (ETF, em inglês) State Street Energy Select Sector SPDR acumula alta superior a 40% em 2026, impulsionado por empresas como ExxonMobil, Chevron e ConocoPhillips.
"O setor de energia tem sido o mais resiliente a se beneficiar do cenário de fim de ciclo", de acordo com estrategistas da Barclays.
O setor de materiais também ganhou força. A mineradora de cobre Freeport-McMoRan acumula alta superior a 50% no ano e negocia em nível recorde.
Para o chefe de análise técnica da Roth, JC O'Hara, ouvido pela revista, o setor de materiais começou a apresentar novo impulso de alta. Ele vê que metais, agricultura e recursos naturais continuam em um mercado de alta.
O analista da Yardeni Research, Ed Yardeni, também está otimista com materiais, citando a força dos preços do ouro e do cobre.
Yardeni também recomenda ações de tecnologia. Na sua visão, o mercado exagerou nas preocupações macroeconômicas e nos temores sobre a valorização de empresas de chips como Micron, Marvell Technology e SK Hynix.
O setor de semicondutores negocia atualmente a um múltiplo preço/lucro inferior ao do S&P 500. Já o setor de tecnologia, de forma mais ampla, está avaliado em cerca de 21 vezes os lucros projetados, mesmo com expectativa de crescimento de 42%.
Chefe de boutiques de ações da Wellington Management, Kim Gailun também enxerga espaço para a tecnologia. O bom desempenho do setor, mesmo com empresas das "Sete Magníficas" ficando para trás, indica um mercado mais seletivo, disse.
Como são conhecidas por pagar dividendos elevados, seus rendimentos ficam relativamente menos atraentes quando os juros dos títulos públicos sobem.
"O setor financeiro e os setores tradicionalmente defensivos enfrentaram a maior pressão, à medida que condições financeiras mais restritivas e taxas de desconto mais altas pesam sobre as expectativas de lucros e os valuations", conforme a Barclays.
O setor de saúde é o ponto de maior divergência entre os analistas. A Barclays vê risco de correção para o segmento, que acumula alta de cerca de 13% no ano.
E, como ele é defensivo e voltado ao pagamento de dividendos, pode perder atratividade se o Fed entender que a atividade econômica e a demanda estão fortes o suficiente para justificar uma alta de juros.
Yardeni, porém, mantém uma visão positiva. O setor negocia a cerca de 19 vezes os lucros projetados, enquanto lucros e margens devem melhorar.
Resultados favoráveis de testes de uma vacina contra o câncer desenvolvida por Moderna e Merck também deram impulso às ações das duas empresas. A mudança pode fazer com que farmacêuticas deixem de ser apenas uma posição defensiva.
Se o setor continuar mostrando crescimento, saúde pode se juntar a energia, materiais e tecnologia entre os segmentos mais interessantes para um ambiente de juros mais altos, indicam as fontes ouvidas pela Barron's.