Na quarta semana de perdas, Ibovespa firma raízes abaixo dos 100 mil pontos

Desde a última sexta-feira, 18, a bolsa brasileira recuou mais de 1%, na contramão dos mercados externos
Em relação à sexta-feira passada, o Ibovespa caiu 1,15%, na quarta semana consecutiva de perdas (Germano Lüders/Exame)
Em relação à sexta-feira passada, o Ibovespa caiu 1,15%, na quarta semana consecutiva de perdas (Germano Lüders/Exame)
Por Bianca AlvarengaBeatriz Quesada

Publicado em 24/06/2022 às 18:13.

Última atualização em 24/06/2022 às 18:39.

Ibovespa hoje: o último dia da semana trouxe um pequeno alívio para o investidor da bolsa brasileira, que vinha de três sessões de quedas. O principal índice da bolsa brasileira subiu 0,6% nesta sexta-feira, 24, no mesmo sentido das bolsas internacionais, mas muito distante, ainda, de recuperar o prejuízo das últimas sessões.

Em relação à sexta-feira passada, o Ibovespa caiu 1,15%, na quarta semana consecutiva de perdas. O índice segue abaixo dos 100 mil pontos desde o dia 17 de junho, o que indica que a bolsa pode estar testando um novo piso.

Com o forte desempenho do mercado externo ofuscando os ganhos do Ibovespa, o dólar teve mais um dia de alta e chegou aos R$ 5,25, a maior cotação desde fevereiro. Na semana, a moeda dos Estados Unidos avançou quase 2%

No exterior, as bolsas se firmam no positivo, e os principais índices americanos podem registrar sua primeira semana de alta em junho. Os ganhos, ainda que temporários, refletem um movimento de correção após as perdas causadas pelo aumento na taxa de juro na quarta passada. 

  • Dow Jones (Nova York): + 2,68%
  • S&P 500 (Nova York): + 3,06%
  • Nasdaq (Nova York): + 3,34%

A batalha do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) contra a inflação acendeu um alerta para investidores do mundo todo, que temem uma recessão na maior economia do mundo. A preocupação afetou principalmente o setor de commodities, que recuou preocupado com a demanda em um cenário de crise.

Nesta sexta, por outro lado, o mercado de commodities acompanhou a recuperação das bolsas e também opera em alta, impulsionando as ações com maior peso no Ibovespa, as da Vale (VALE3)

A mineradora subiu na esteira do preço do minério de ferro. Os contratos da commodity na bolsa de Dalian subiram 1% após dez sessões de queda. Além da Vale, as siderúrgicas também avançaram, e ficam entre os maiores destaques positivos do pregão.

O mercado de petróleo também se recupera, com o petróleo Brent avançando mais de 2%. A PetroRio (PRIO3) acompanhou os ganhos e figurou entre as maiores altas do Ibovespa no dia, com valorização de 5%. A Petrobras (PETR3/PETR4), por outro lado, não conseguiu acompanhar a tendência positiva do setor e encerrou o dia em queda.

No caso da Petrobras, investidores também aguardam a definição do comitê de elegibilidade (Celeg) sobre o cargo de CEO da estatal. Responsável por analisar os indicados para exercer cargos na Petrobras, o Celeg se reúne nesta tarde para avaliar o nome de Caio Mário Paes de Andrade à presidência após a renúncia de José Mauro Coelho

Após passar pela Celeg, a indicação segue para avaliação do conselho, que pode votar pela aprovação do secretário como membro do colegiado e presidente da empresa. Se Paes de Andrade for aprovado nos ritos, será o quinto CEO da Petrobras a assumir o cargo na gestão Bolsonaro.

Porém, a Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro), com apoio da Federação Única dos Petroleiros (Fup) e sindicatos filiados já avisaram que questionarão a escolha do executivo, caso ele seja escolhido como novo presidente da petroleira.

No cenário macroeconômico, houve ainda a divulgação nesta manhã da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15). O indicador de junho subiu 0,69%, praticamente em linha com estimativas de 0,67%. Porém, o índice mostrou composição pior do que a esperada com pressão em serviços.

Os juros futuros subiram após a divulgação, tanto pelo resultado como pela pressão fiscal. Nesta sexta, a 100 dias das eleições, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a elevação do Auxílio Brasil dos atuais R$ 400 mensais para R$ 600 por mês.

Destaques de ações

Além das ações ligadas ao minério de ferro e ao petróleo, outro destaque de alta é o setor aéreo. A Gol (GOLL4) liderou os ganhos do dia, com alta de mais de 6%.

Em uma conversa com investidores realizadas na tarde desta sexta-feira, o diretor de RI da companhia, Richard Lark, disse que o volume de vendas de passagens deve voltar ao período pré-pandemia já no terceiro trimestre deste ano.

Além disso, o executivo disse que a estrutura de custos também caminha para uma convergência até o final deste ano, quando a Gol deve voltar para a mesma operação que tinha antes da crise gerada pela covid-19.

O otimismo com a recuperação do setor de viagens também puxou uma alta nos papéis da Azul (AZUL4), que avançaram 4%.

  • Gol (GOLL4): 6,71%
  • Azul (AZUL4): 4,69%

Outro ponto de destaque foi a exportadora de celulose Suzano (SUZB3). A empresa ficou entre as maiores altas do dia após confirmar que irá elevar o preço da celulose na Ásia, Europa e América do Norte em julho. 

Na ponta oposta, as ações da CVC (CVCB3) ficaram entre as piores perdas do pregão, com desvalorização de 4%. A queda ocorre após a precificação da oferta secundária de ações da companhia (follow-on) ter saído com preço abaixo do esperado.

A oferta movimentou R$ 402,8 milhões, com cada uma das 52,3 milhões de ações ordinárias, sendo vendidas ao preço de R$ 7,70 por papel. O preço sofreu um desconto de 13,3% em relação à última cotação da ação, de R$ 8,88.