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Mudança de rota: Verde Asset abandona real e reforça posições nos EUA

Fundo manteve posições em ouro e ampliou exposição à prata ao ver "excepcionalismo americano"

Verde Asset: gestora zerou exposição ao real em maio. (EXAME/Exame)

Verde Asset: gestora zerou exposição ao real em maio. (EXAME/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 11 de junho de 2026 às 11h50.

A Verde Asset decidiu zerar sua exposição ao real em meio a uma mudança de cenário que, na avaliação da gestora, voltou a favorecer o dólar e os ativos dos Estados Unidos. A decisão foi detalhada na carta mensal do fundo Verde, de Luis Stuhlberger, e ocorre após a retomada do chamado "excepcionalismo americano".

A gestora cita a combinação entre a resiliência da economia dos EUA, a perspectiva de juros mais altos pelo Federal Reserve (Fed) e o avanço contínuo dos investimentos ligados à inteligência artificial (IA).

Na carta, a Verde diz que a subida do dólar foi suficiente para alterar sua estratégia no mercado de câmbio. "Temos visto algum fortalecimento do dólar como principal consequência macro dessa lógica. Zeramos as alocações em real por conta de preocupação com isso", escreveu.

Apesar da mudança, o fundo manteve posições em metais preciosos.

Reversão de fluxo atingiu ativos

Na visão da gestora, "a volta do excepcionalismo americano, mesmo que em versão ainda suave, explica a reversão dos fluxos que temos visto no mercado brasileiro", destacou.

A gestora lembra que o Ibovespa registrou queda de 7,22% no mês e afirma que, em diversos segmentos do mercado acionário, as correções foram ainda mais intensas.

Além da bolsa, a Verde chamou atenção para a mudança observada na curva de juros, pois o mercado passou a reduzir as apostas em cortes da Selic e começou a incorporar a possibilidade de novas altas nos próximos meses.

Embora considere esse movimento exagerado, a casa argumenta que o ambiente fiscal segue pressionando as expectativas dos investidores.

A carta menciona, ainda, que "a constante pressão dos pacotes parafiscais que o governo anuncia, com óbvio intuito eleitoral, torna a vida do Banco Central muito difícil, numa economia com desemprego nas mínimas."

Onde o fundo manteve aposta

A Verde preservou algumas posições na renda variável tanto no Brasil quanto no exterior. A estratégia também continuou sem posições direcionais em juros locais.

Nos EUA, a gestora promoveu mudanças na carteira de renda fixa. A alocação em inflação implícita foi reduzida e substituída por uma posição maior aplicada em juros reais.

No mercado de moedas e commodities, além de zerar a exposição ao real, o fundo manteve posições em ouro e aumentou pontualmente a participação em prata.

"Continuamos carregando uma compra de proteção de crédito da Arábia Saudita, e zeramos posições em petróleo através de opções", detalhou. Mas a alocação de crédito local foi mantida.

IA voltou ao centro das atenções

A mudança de posicionamento ocorreu em um mês marcado pela valorização de empresas ligadas à cadeia global de IA. Na avaliação da Verde, o tema ganhou relevância à medida que as preocupações dos mercados com conflitos geopolíticos perderam espaço.

O documento destaca que o avanço dos investimentos em semicondutores e capacidade computacional voltou a impulsionar ativos associados à IA. Esse movimento, segundo a gestora, ajudou a recolocar os EUA no centro das estratégias globais de alocação.

O posicionamento foi adotado em um mês de desempenho positivo para o principal fundo da casa. O Verde FIF CIC Multimercado RL encerrou maio com ganho de 0,33%, acumulando valorização de 7,76% em 2026, acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que registrou alta de 5,66% nesse ano.

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