Minoritários querem suspender assembleia da Petrobras do dia 13

Fundos já sinalizaram à estatal e ao Institutional Shareholder Services (ISS) que estão com problemas com as cédulas de votação do novo conselho
Petrobras: Segundo uma fonte, há grandes chances de a eleição dos conselheiros ser impugnada no dia 13 (MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images)
Petrobras: Segundo uma fonte, há grandes chances de a eleição dos conselheiros ser impugnada no dia 13 (MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images)
Por Agência O GloboPublicado em 05/04/2022 19:49 | Última atualização em 05/04/2022 20:36Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Acionistas minoritários da Petrobras (PETR3, PETR4) começaram a pressionar a estatal para tentar suspender a Assembleia Geral  Ordinária e Extraordinária marcada para a quarta-feira da semana que vem, dia 13 de abril, segundo fontes do setor disseram ao O Globo.

O movimento vem sendo liderado por gestoras de fundos de investimento estrangeiros, que já sinalizaram à estatal e ao Institutional Shareholder Services (ISS), organismo privado que providencia soluções para investidores e fundos, que estão com problemas com as cédulas de votação por conterem nomes que já que foram descartados.

Na primeira versão dos indicados pela União, havia o nome de Joaquim Silva e Luna, presidente da estatal que deixará o cargo. Em seguida, foram adicionados Rodolfo Landim, como presidente do Conselho de Administração, e Adriano Pires, como conselheiro e presidente-executivo (CEO) da estatal. Como os dois desistiram, uma nova versão está em andamento.

A preocupação dos fundos é que haja problemas na votação que será feita através do sistema de voto múltiplo no dia da assembleia, que será realizada de forma virtual. Nessa modalidade, os acionistas podem concentrar votos em um único candidato individualmente.

Segundo uma fonte, há grandes chances de a eleição dos conselheiros ser impugnada no dia 13. Para essa fonte, representante de um fundo, embora o governo possa indicar os nomes até o dia da assembleia, a avaliação é que esse "troca-troca" de indicados está deixando o processo muito instável. Até agora, as articulações ocorrem nos bastidores.

Impasse na Petrobras preocupa acionistas

Até entre os conselheiros atuais da estatal esse "vai-e-volta" é visto com preocupação do ponto de vista da governança, pois o Comitê de Pessoas não chegou nem a finalizar oficialmente a avaliação de Landim e Adriano Pires. "Tudo são apenas indicações", disse uma fonte do alto escalão da estatal.

Em entrevista ao O Globo, o advogado Leonardo Pietro Antonelli, que integrou o Conselho de Administração da Petrobras entre 2020 e 2021, disse que 700 mil investidores sofrem com a instabilidade existente.

No ano passado, quando Roberto Castello Branco foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro por também reajustar os preços dos combustíveis, o fundo Aberdeen Standard Investments enviou uma carta ao Conselho de Administração da estatal alertando sobre os prejuízos da interferência do governo.

Segundo outra fonte do setor, a busca por um novo nome para Petrobras vem gerando dúvidas no próprio mercado. Após Décio Oddone ter recusado o convite para comandar a estatal, segundo o jornalista Lauro Jardim em seu blog, um executivo disse que, "para que alguém seja escolhido rapidamente, deveria ser alguém já dentro da empresa, a exemplo de conselheiros que estão sendo reconduzidos", disse.

Mas um assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes, também estaria sendo cotado. Internamente, a Petrobras mantém a data da assembleia para o dia 13.

(Com a Redação)