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Novo ministro das Finanças do Reino Unido tenta apaziguar os mercados e descarta cortes de impostos

Jeremy Hunt salientou como "a responsabilidade central de qualquer governo é fazer o que for necessário para a estabilidade econômica”

O novo ministro das Finanças do Reino Unido, Jeremy Hunt (Getty/Exame)

O novo ministro das Finanças do Reino Unido, Jeremy Hunt (Getty/Exame)

Carlo Cauti
Carlo Cauti

17 de outubro de 2022, 08h57

O novo ministro das Finanças do Reino Unido, Jeremy Hunt, anunciou nesta segunda-feira, 17, que o pacote fiscal anunciado pelo seu antecessor, Kwasi Kwarteng, no final de setembro não será mais implementado.

O plano previa uma série de cortes nos impostos de renda, incluindo uma redução da alíquota mais baixa, que passaria de 20% para 19%, bem como cortes nas taxas de imposto de dividendos, reembolsos de IVA para turistas e o congelamento sobre as taxas do imposto sobre bebidas alcoólicas.

“Uma responsabilidade central de qualquer governo é fazer o que for necessário para a estabilidade econômica”, disse Hunt em um breve comunicado na manhã desta segunda. No total, o valor dessa reviravolta fiscal será de 32 bilhões de libras, segundo as declarações do próprio ministro da Economia.

A reação dos mercados ao anúncio de Hunt foi positiva, com a Bolsa de Valores de Londres que deu uma guinada para o alto, subindo 0,82% as 12h33 locais, o câmbio da libra que voltou a subir nesta segunda-feira em relação ao dólar e os juros dos títulos do tesouro do Reino Unido, Gilts, caiu.

Entre as medidas anunciadas por Hunt está também uma revisão do pacote de subsídios energéticos para empresas e consumidores, que será implementado apenas até abril e depois seria revisado para “custar ao contribuinte significativamente menos do que o planejado”.

“Nenhum governo pode controlar os mercados, mas todo governo pode dar certeza sobre a sustentabilidade das finanças públicas. Esse é um dos muitos fatores que influenciam o comportamento dos mercados. Por essa razão, embora a primeira-ministra e eu estejamos comprometidos em reduzir o imposto corporativos, na sexta-feira ela ouviu as preocupações sobre esse pacote fiscal”, explicou Hunt.

O ministro salientou que a mudança de rota na condução da política econômica do Reino Unido será anunciada com todos os detalhes no Parlamento britânico em algumas horas, mas como se trata de informações sensíveis para os mercados, ele queria antecipar um breve resumo em um esforço para instilar “confiança e estabilidade”.

“Teremos decisões mais difíceis sobre impostos e gastos”, explicou o ministro, em um claro esforço de reconstruir a credibilidade fiscal do governo

Pacote fiscal levou para demissão de ministro da Economia

Na última sexta-feira, 14, a primeira-ministra Liz Truss demitiu o ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, quarenta dias após ele o cargo, por causa do caos desencadeado nos mercados financeiros após o anúncio do orçamento no dia 23 de setembro.

O pacote apresentado por Kwarteng previa cortes de impostos financiados com aumento da dívida pública que totalizariam 45 bilhões de libras. O plano foi apresentado como uma tentativa de aumentar o ritmo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido, que atualmente está muito lento, e era uma parte fundamental do programa de governo de Truss.

Todavia, o pacote assustou os mercados, com a libra que sofreu uma forte desvalorização, a Bolsa de Valores de Londres fechou em forte queda e os juros sobre os títulos da dívida britânica que dispararam.

Essa reação foi provocada por uma série de fatores, incluindo a perspectiva de uma dívida pública significativamente maior, devido aos generosos subsídios energéticos concedidos a consumidores e empresas, e a percepção de incompatibilidade entre o atual aperto monetário levado adiante pelo Banco da Inglaterra para tentar domar a inflação e o pacote de estímulo do governo. A falta de previsão econômica do Escritório de Controle Orçamentário do Reino Unido também alimentou a reação negativa dos mercados.