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Minerva Foods: crise energética e oferta de gado nos EUA impulsionam lucro, que vai a R$ 141,5 mi

Perspectivas são otimistas também para 2023 e 2024, apontam executivos

Minerva Foods: ganhos recordes e sensação de que 'o melhor ainda está por vir' (Jeff Haynes/Reuters)

Minerva Foods: ganhos recordes e sensação de que 'o melhor ainda está por vir' (Jeff Haynes/Reuters)

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Karina Souza

9 de novembro de 2022, 19h08

A Minerva Foods se beneficiou de efeitos como a crise energética global (que interfere no uso de grãos como biocombustíveis) e consequentes defasagens na produção da América do Norte para ganhar competitividade e ter um trimestre de recordes. O lucro líquido da companhia cresceu 95,5% na comparação anual, fechando os três meses encerrados em setembro em R$ 141,5 milhões. 

A última linha reflete avanços do começo ao fim do balanço: a receita líquida cresceu 14,5% na comparação anual e foi para R$ 8,4 bilhões, um patamar recorde, e o Ebitda evoluiu 24,4% na comparação anual, para R$ 806,2 milhões. O descompasso entre os ganhos de ume de outro reflete tanto a melhora nos preços de exportação quanto a melhora na parte de custos — um fator relacionado à condição de arbitragem da companhia de acelerar uma origem em detrimento de outra, considerando os patamares mais eficientes possíveis. 

De acordo com Fernando Queiroz, CEO da Minerva Foods, os fatores que beneficiaram a empresa devem continuar exercendo influência positiva ao longo dos próximos resultados a serem divulgados pela empresa e não devem se extinguir tão cedo. “Os Estados Unidos estão entrando em um ciclo extremamente negativo. O abate de matrizes, realizado até pouco tempo atrás, deve comprometer o ciclo pelos próximos cinco a seis anos”, afirma.

Diante de uma produção latino-americana mais eficiente diante do cenário global, a empresa tem conseguido tanto aumentar a presença nos mercados em que já estava quanto atingir novas regiões, em razão da maior competitividade. Entre as novas regiões, está o Canadá, além de possíveis acordos do Brasil com o Japão e a Coreia a serem firmados em breve. 

Além dos ganhos em receita no trimestre, a companhia também registrou efeitos positivos no caixa no período, com um FCL de R$ 536 milhões. Parte dele derivado do Ebitda recorde, é claro, mas há uma parte significativa que vem de disciplina de capital de giro bastante rígida – principalmente atrelada a recebíveis de exportação — que liberou mais de R$ 300 milhões no trimestre. Com os ganhos, a companhia conseguiu diminuir a dívida líquida no período, trazendo um dos menores patamares de alavancagem para a desde 2008, de 2,18 vezes. No período, a companhia ainda pagou R$ 128,1 milhões em dividendos. 

A companhia segue em uma toada de diversificação da receita global. No balanço divulgado nesta quarta-feira, 9, a companhia mostra que 45% vem da Ásia, 31% vem de Américas, comunidades dos Estados Independentes estão com 14%, Oriente Médio e norte de África quase 10%. Em relação à oferta de gado, companhia acelerou a presença, ao longo do trimestre, por aqui, na Argentina e na Colômbia, enquanto o Uruguai teve uma leve redução relacionada à menor disponibilidade  — um cenário que deve começar a mudar a partir do ano que vem. 

“No Brasil, tem mais consumo de produtos premium, especialmente no food service, e também um trade down para processamento. Mas no geral o consumo interno segue bastante positivo. Na Argentina, o ganho de market share em industrializados é bastante positivo”, diz o CEO. 

No período, a companhia realizou a aquisição da ALC, empresa australiana de cordeiro, dentro da qual já incorporou um abate de 12 mil cordeiros por dia. A compra, totalmente financiada com o caixa da empresa, vai abrir portas para o grupo em novos mercados, especialmente o Sudeste Asiático, Oriente Médio e Estados Unidos. Questionado a respeito de um possível movimento em direção a bovinos na Austrália, Edison Ticle, diretor de RI da Minerva Foods, negou que haja interesse nesse tipo de expansão. O pagamento deve ser realizado principalmente dentro do quarto trimestre e a posse da planta deve acontecer até o fim de novembro. 

Os fatores positivos se somam aos ganhos em capital de giro de mais de R$ 300 milhões no trimestre, um fator principalmente atrelado aos recebíveis de exportação da companhia, com eficiência maior na conversão desses recebíveis.   

Futuro

Em relação ao quarto trimestre, as perspectivas da companhia seguem positivas. Os fatores sazonais — como o período de Festas — é um fator tradicional de contribuição para esse cenário no curtíssimo prazo, mas os porta-vozes também ressaltam fatores externos. A disponibilidade de animais para o ciclo de 2023 e 2024 na América Latina é um deles, que traz tranquilidade do lado do custo e, consequentemente, da manutenção das margens observadas até aqui.

O outro ponto é, claro, a disponibilidade do mercado externo. “Há a previsão de queda de 800 mil toneladas na produção norte-americana, o que vai ser coberto pela América Latina”, diz Ticle. Esse fator se soma ao estoque baixo de países compradores em relação aos padrões habituais, o que reforça a crença da Minerva de que o futuro pode ser ainda melhor do que o presente mostra.