Meta (M1TA34) corta funcionários pela primeira vez na história e Facebook vai "encolher"

Essa é a primeira vez que a rede social de Mark Zuckerberg é forçada a cortar as contratações desde sua fundação
Meta (M1TA34) corta funcionários pela primeira vez na história e Facebook vai "encolher" (Dado Ruvic/Illustration/Reuters)
Meta (M1TA34) corta funcionários pela primeira vez na história e Facebook vai "encolher" (Dado Ruvic/Illustration/Reuters)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 30/09/2022 às 16:53.

Última atualização em 30/09/2022 às 17:20.

A Meta (M1TA34), controladora do Facebook, anunciou nesta sexta-feira, 30, que vai congelar as contratações “para a maioria das funções em toda a empresa” e “minimizará os custos” por causa da queda na publicidade e aumento da concorrência.

Essa é a primeira vez desde sua criação que o Facebook interrompe o crescimento do número de funcionários. Em um memorando interno, a diretora de Recursos Humanos da Meta, Lori Goler, escreveu que a partir desta sexta-feira a empresa “pausará as contratações" e "não fará nenhuma oferta de trabalho até que o congelamento seja suspenso ainda este ano”. Até as transferências internas estão bloqueadas.

A executiva explicou que cada equipe terá de decidir individualmente como priorizar projetos e se reestruturar para “garantir que possamos cumprir nossas principais prioridades” durante os esforços de aperto. “Nosso orçamento para 2023 será muito apertado em todas as equipes, enquanto tentamos minimizar os custos”, escreveu Goler.

Desde o terceiro trimestre do ano passado, a empresa reduziu sua previsão para o orçamento de 2022, passando da faixa entre US$ 91 bilhões e US$ 97 bilhões para a faixa US$ 85 bilhões e US$ 88 bilhões para o segundo trimestre do ano fiscal.

Mark Zuckerberg falou abertamente em Facebook "menor" do que no passado

O fundador e CEO da rede social, Mark Zuckerberg, declarou que a empresa vai congelar as contratações e reestruturar algumas equipes para reduzir gastos e realinhar prioridades. Segundo ele, o Facebook provavelmente será menor em 2023 do que este ano.

"Nos primeiros 18 anos de vida da empresa, crescemos rapidamente a cada ano, mas o volume de negócios foi estável ou ligeiramente inferior pela primeira vez ”, explicou Zuckerberg.

O empresário também acrescentou que a empresa reduzirá os orçamentos da maioria das equipes, mesmo daquelas que estão crescendo, e que as equipes individuais decidirão como gerenciar as mudanças de pessoal. Isso pode significar não repor as funções que ficarão abertas com a saída de funcionários, transferir pessoas para outras equipes ou trabalhar para "gerenciar pessoas malsucedidas".

"Eu esperava que nessa altura a economia já tivesse se estabilizado", disse Zuckerberg, "Mas, pelo que vemos, ainda não parece, então queremos um planejamento um pouco mais conservador".

Meta superou o boom da época do coronavírus

A Meta parece ter superado já os tempos de boom registrados durante a pandemia de coronavírus (covid-19), quando o número de usuários e de tempo médio passado na plataforma cresceu constantemente.

O número de usuários ativos na plataforma está diminuindo e o mercado também mudou de humor em relação a empresa, com as ações da empresa que perderam cerca de 60% no Nasdaq nos últimos 12 meses.

As difíceis condições macroeconômicas, com juros subindo no mundo todo e a concorrência crescente do TikTok, estão desafiando o domínio da Meta

A rede social vem tentando equilibrar o desenvolvimento de seu produto de vídeo de formato curto, o Reels, para tentar aumentar a popularidade do Facebook e do Instagram, como parte dos esforços para a construção do metaverso. Todavia, até o momento, a aposta da Meta sobre esse novo universo de avatares está se demonstrando muito mais um custo do que uma oportunidade.

Após o anúncio do congelamento das contratações, as ações da Meta na Nasdaq tiveram uma forte alta, passando de US$ 136 para US$ 141, mas acabaram perdendo força ao longo do pregão e fecharam no vermelho de 0,31%.