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Mercado Livre vende 35% a mais no Brasil no 3º tri; o que esperar das varejistas on-line?

Resultado da plataforma de marketplace aquece os motores para a divulgação de Magazine Luiza, Americanas e Via, mas vai ser difícil superar o desempenho da empresa argentina

Mercado Livre: com resultados fortes, ações negociam com forte alta em NY (Leandro Fonseca/Exame)

Mercado Livre: com resultados fortes, ações negociam com forte alta em NY (Leandro Fonseca/Exame)

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Raquel Brandão

4 de novembro de 2022, 12h06

Mais uma vez o desempenho das operações brasileiras puxou os números do Mercado Livre (MELI). A plataforma de marketplace registrou um avanço de 44,8% nas vendas para US$ 2,69 bilhões e um lucro líquido 145% maior, chegando a US$ 317 milhões. Na manhã desta sexta-feira, as ações saltavam mais de 10% em Nova York.

  • MELI: +10,94%, para US$ 966,16

No Brasil, as vendas líquidas cresceram 35%, somando US$ 1,43 bilhão e respondendo por pouco mais de 53% das vendas totais da varejista on-line. O desempenho da empresa argentina esquenta os motores para os resultados para os números das grandes varejistas on-line que divulgarão seus números na próxima semana: Magazine Luiza (MGLU3), Americanas (AMER3) e Via (VIIA3). Mas entre os analistas de mercado a expectativa é de que o bom desempenho do Mercado Livre não se repita entre as concorrentes.

"Estamos particularmente satisfeitos com o desempenho do terceiro trimestre no Brasil, onde superamos o mercado de acordo com as estimativas do setor", diz a direção do Mercado Livre em seu relatório. O valor do volume bruta de mercadorias vendidas (GMV, na sigla em inglês) cresceu 20% no Brasil, desconsiderando o efeito de câmbio.  No consolidado, o GMV do Mercado livre subiu 31,5%, dado que a seleção e os níveis de serviço aceleraram os ganhos de participação da empresa. "Muito para se animar no terceiro trimestre", escreveram os analistas do Bank of America.

Para os analistas do Goldman Sachs, o resultado superou expectativas, com uma margem Ebit (lucro antes de juros e impostos na sigla em inglês) recorde de 11%. É como uma margem operacional. O recorde foi impulsionado por um forte ganho de margem bruta com frete e outras diluições de custos fixos.

Mercado Pago

Com uma postura mais conservadora, a empresa viu o crescimento perder um pouco de ritmo. A carteira de créditos encerrou o trimestre em US$ 2,8 bilhões, com 55% da carteira bruta em crédito ao consumidor, 25% em crédito comercial e 20% em cartões de crédito.

"Tomamos uma decisão deliberada de desacelerar as concessões ao reconhecermos os riscos associados a um ambiente de crédito mais fraco, principalmente no Brasil. Essa desaceleração reflete nossa priorização da gestão de risco e nossa gestão do negócio de crédito pela margem, não pelo crescimento", afirma a empresa.

E o que esperar das concorrentes?

O desempenho do Mercado Livre parece mesmo um tanto descolado do restante do varejo on-line no país, na visão dos analistas de mercado. A plataforma é quem tem melhor navegado o momento.

Para os analistas do Itaú BBA, a Americanas, por exemplo, deve registrar um resultado fraco, com a receita bruta caindo 5%, justamente mais pressionada pelas vendas diretas (1P) do que pelo desempenho dos vendedores no marketplace (3P). Já o Magazine Luiza também deve ter resultado difícil, mas demonstrando melhora sequencial. Para o GMV da operação on-line de Magazine Luiza, o banco estima algo na casa de R$ 10,2 bilhões, um resultado estável.

A XP Investimentos diz que a Americanas deve reportar resultados fracos enquanto a receita deve surpreender negativamente e a rentabilidade deve ser pressionada pela alavancagem operacional, levando a uma queima de caixa no trimestre. Eles estimam que o GMV do on-line deve cair 15%, puxado pelo desempenho ruim no 1P. 

Para Via, a corretora diz que o crescimento de GMV e de receita devem ficar pressionados, combinados com um prejuízo e queima de caixa. "Estimamos que o GMV total caia 8%, com a recuperação das lojas físicas (vendas em mesmas lojas crescendo 4%) não compensando a fraca performance online (-21%), com o 1P caindo 12%, por conta do impacto do cenário macro na demanda por bens duráveis e eletrônicos, enquanto o 3P deve acelerar a queda (-40%) por conta da estratégia da empresa de priorizar a cauda longa com tíquete médio mais baixo."

Para o Magazine Luiza, a XP também espera números fracos, mas menos pressionados. O GMV total deve crescer 4%, com o canal online crescendo 4%, enquanto o varejo fisico deve reportar vendas mesmas lojas estáveis, por conta da demanda pressionada pela linha branca.