Mercado Livre: investimento em fundo do Vale do Silício (Lucas Agrela/Exame)
Editor de Invest
Publicado em 2 de abril de 2026 às 16h58.
O Mercado Livre fez sua estreia no mundo do venture capital e escolheu a inteligência artificial como porta de entrada. A companhia anunciou nesta quinta-feira (2) um compromisso como cotista do Fundo 5 da Gradient, gestora do Vale do Silício especializada em startups de IA em estágio inicial. É a primeira vez que a empresa assume esse tipo de posição em um fundo externo.
Mercado Livre anuncia investimento de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026 Meli vai abrir 14 novos centros de distribuição e reforçar 'fulfillment'O fundo captou um total US$ 220 milhões e teve demanda acima da oferta. Como cotista, o Meli passa a ter acesso antecipado a empresas pré-seed (fase anterior à primeira rodada formal de investimento, quando a startup ainda está validando sua ideia) e seed (primeira rodada estruturada de capital, voltada a empresas que já têm um produto inicial mas ainda estão em fase de tração) do portfólio da Gradient.
Ou seja, tecnologias que ainda nem chegaram ao mercado.
O foco do Fundo 5 se alinha diretamente com as prioridades estratégicas declaradas pelo Mercado Livre: agentes de IA, aplicações B2B e infraestrutura para grandes empresas desenvolverem capacidades próprias de inteligência artificial, áreas que a companhia associa às suas iniciativas em personalização, automação e escalabilidade.
O Meli afirma ser pioneira no uso de IA e machine learning há mais de uma década. Segundo o vice-presidente sênior de desenvolvimento corporativo e estratégia, Leandro Cuccioli, a tecnologia já está incorporada ao núcleo das operações do grupo.
"A inteligência artificial já está presente em tudo o que fazemos, desde a personalização da experiência do usuário até modelos que analisam milhares de variáveis em milissegundos para prevenir fraudes e avaliar crédito", disse o executivo, no comunicado da empresa.
Do lado da Gradient, a parceria também tem peso estratégico. Para Darian Shirazi, sócio-gerente da gestora, a região deixou de ser periferia no mapa da adoção tecnológica global.
"Assim como pagamentos digitais e aplicativos de transporte conquistaram a América Latina há uma década, a IA segue uma trajetória semelhante", afirmou Shirazi, no texto. Ter o Mercado Livre como investidor é, para a Gradient, uma forma de conectar seu portfólio de startups a um ecossistema com mais de 100 milhões de usuários ativos e operações em 18 países.
O Mercado Livre diz que o acordo o coloca em uma posição que poucas empresas da América Latina ocupam: a de observador privilegiado das apostas mais early-stage do Vale do Silício em IA. A empresa poderá acompanhar de perto quais tecnologias estão sendo construídas antes mesmo de chegarem ao mercado e decidir quais integrar ao seu ecossistema.
Segundo a companhia, o objetivo é identificar tecnologias emergentes desde o início e integrá-las ao seu ecossistema em escala, acelerando sua curva de aprendizado e reforçando, nas palavras de Cuccioli, "o compromisso com o desenvolvimento de longo prazo na América Latina".