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Mercado ignora risco de desaceleração econômica com guerra no Irã

Com petróleo acima de US$ 116 em meio ao conflito no Oriente Médio, gestores alertam que investidores seguem focados na inflação e não precificam impacto negativo sobre a economia

Wall Street: gestores veem risco de desaceleração na economia dos EUA. (Reprodução/Getty Images)

Wall Street: gestores veem risco de desaceleração na economia dos EUA. (Reprodução/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 30 de março de 2026 às 08h07.

Gestores de Wall Street veem que o mercado global de ações pode estar subestimando um risco de desaceleração da economia dos Estados Unidos em meio à escalada da guerra no Irã.

Os investidores parecem se concentrar na inflação, mas sinais de enfraquecimento já bateram à porta, de acordo com gestoras ouvidas pela Bloomberg.

As apostas miram para juros elevados por mais tempo, após operadores verem o movimento constante de alta do petróleo, que ultrapassou US$ 116 por barril do tipo Brent nesta segunda-feira, 30.

A expectativa é de que o Federal Reserve mantenha uma postura restritiva diante de uma inflação persistente, com o avanço consistente dos preços da commodity.

Mercado ignora efeitos amplos

Gestora de portfólio de renda fixa do JP Morgan Asset Management, Kelsey Berro avaliou que o mercado pode estar ignorando efeitos mais amplos sobre a economia. "Cada dia que esse conflito persiste nos aproxima de um momento em que o mercado será forçado a considerar implicações mais negativas para o crescimento", pontuou à Bloomberg.

O Goldman Sachs elevou para cerca de 30% a probabilidade de recessão nos próximos 12 meses, enquanto a Pacific Investment Management Company (Pimco) vê chances superiores a um terço.

"(Economia está) à beira de um enfraquecimento significativo."Daniel Ivascyn, diretor de investimentos da Pimco

O diretor de investimentos da Pimco, Daniel Ivascyn, vê que "o que começa como um choque de inflação pode rapidamente migrar para um choque de crescimento."

A desaceleração ocorre em um contexto já fragilizado por fatores anteriores ao conflito, como a retomada de tarifas comerciais, tensões no setor de crédito privado e incertezas relacionadas ao avanço da inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, a interrupção de fluxos no Estreito de Ormuz e a alta dos combustíveis começam a ser repassadas ao consumidor, elevando o custo de vida e restringindo o poder de compra.

O mercado de trabalho dos EUA, além disso, vem desacelerando com um corte de 92 mil vagas em fevereiro. Dados consultados pela Bloomberg indicam que há expectativa de recuperação parcial em março.

Desalinhamento nos mercados

Os investidores estão precificando, desse modo, a manutenção ou até elevação dos juros ao longo de 2026, praticamente descartando cortes no curto prazo.

Esta relação entre as expectativas de política monetária e as projeções de crescimento é apontada como um dos principais riscos para os ativos, na visão dos especialistas.

Algo que o gestor de portfólio da Columbia Threadneedle Investments, Ed Al-Hussainy, enxerga com clareza, pois, a depender do rumo, a política monetária pode ampliar o impacto negativo sobre a economia.

"Quanto mais o Fed avançar no aperto, maior será o ajuste necessário na ponta longa da curva", detalhou Al-Hussainy à Bloomberg, citando riscos para a demanda agregada.

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