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Mercado especula qual será a próxima mineradora na vitrine das terras raras

Relatório do BTG vê início de nova onda de aquisições após negócio da mineradora Serra Verde, a única mina de terras raras do país, comprada por empresas dos EUA

BTG: "O Brasil está bem posicionado nesse contexto, com vários projetos oferecendo exposição significativa às HREEs, incluindo Aclara, Viridis e Meteoric", afirmaram os analistas (Serra Verde/Divugação )

BTG: "O Brasil está bem posicionado nesse contexto, com vários projetos oferecendo exposição significativa às HREEs, incluindo Aclara, Viridis e Meteoric", afirmaram os analistas (Serra Verde/Divugação )

Publicado em 23 de abril de 2026 às 13h26.

A compra da mineradora brasileira Grupo Serra Verde pela americana USA Rare Earth (USAR), anunciada no início desta semana, abriu uma nova frente de especulação no mercado de minerais críticos.

Avaliada em US$ 2,8 bilhões, a operação não só reforça o movimento dos Estados Unidos para reduzir a dependência da China, como também coloca o Brasil no centro de uma possível nova onda de fusões e aquisições no setor de terras raras, de acordo com o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).

De acordo com relatório do banco, a aquisição "marca um marco significativo para o cenário das terras raras ocidentais" e reforça uma tese que já vinha sendo defendida pelo banco, a de que a oferta fora da Ásia e, em especial, a brasileira, deve ganhar protagonismo nos próximos anos.

Para os analistas do BTG, o movimento ressalta o quão crítica se tornou a oferta fora da China para os países ocidentais, especialmente em um mercado ainda altamente concentrado. Hoje, o gigante asiático domina cerca de 90% da oferta global de terras raras já processadas.

"Como único ativo operacional de terras raras no Brasil, a Serra Verde detém uma clara vantagem de pioneirismo, com a maioria dos projetos de desenvolvimento visando a produção somente após 2028", disse o banco.

"Mais importante ainda, o acordo ressalta o quão crítica se tornou a oferta fora da China para os países ocidentais, particularmente os EUA, à medida que buscam diversificar-se de um mercado altamente concentrado onde a China ainda detém uma posição dominante (e tem aproveitado essa posição).

Na avaliação do BTG, a operação pode "marcar o início de uma onda mais ampla de transações no setor, com empresas em fase de desenvolvimento se tornando cada vez mais alvos de aquisição". Nesse cenário, alguns nomes já começam a aparecer no radar do mercado. "O Brasil está bem posicionado nesse contexto, com vários projetos oferecendo exposição significativa às HREEs, incluindo Aclara, Viridis e Meteoric", afirmaram os analistas.

Aclara, Viridis e Meteoric entram no radar do mercado

No caso da Aclara Resources, a empresa é responsável pelo projeto Carina, em Goiás. Considerado um dos projetos de argila iônica mais avançados fora da China, o ativo prevê início de produção no segundo semestre de 2028, com investimento estimado em US$ 780,9 milhões.

A empresa também já recebeu apoio da Internacional Development Finance Corporation (DFC), a agência americana de financimaneto de projetos, o que reforça seu alinhamento com a estratégia dos Estados Unidos para garantir cadeias de suprimento alternativas.

Outro candidato potencial é a australiana Viridis Mining & Minerals, responsável pelo projeto Colossus, no sul de Minas Gerais.

Avaliado em cerca de US$ 360 milhões, o empreendimento já obteve licença prévia ambiental no final do ano passado e tem como meta iniciar a produção em 2028, mirando a extração de argilas de adsorção iônica, consideradas estratégicas por concentrarem terras raras pesadas.

Na mesma região, a Meteoric Resources avança com o projeto Caldeira, que recentemente inaugurou uma planta-piloto de processamento em Poços de Caldas. A estrutura permite testar, em escala reduzida, a transformação do minério em carbonato de terras raras, etapa essencial para viabilizar a produção comercial.

Segundo o BTG, há uma "clara preferência" do mercado por ativos com exposição a terras raras pesadas, como disprósio e térbio, que devem enfrentar um déficit de oferta de cerca de 30% até 2030. Esse fator ajuda a explicar por que projetos baseados em argila iônica, como os de Aclara, Viridis e Meteoric, vêm ganhando destaque.

O banco também chama atenção para o fato de que, "com exceção da Aclara, a maioria dessas empresas ainda não conta com o apoio de grandes players do setor de mineração", o que abre espaço para novos movimentos de consolidação.

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