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Mercado de opções requer cuidado maior na crise atual, alerta especialista

Robert Whaley, o criador do Índice VIX, também conhecido como "Índice do Medo", diz que perdas com opções estão mais frequentes

 (Paulo Whitaker/Reuters)

(Paulo Whitaker/Reuters)

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Bloomberg

13 de outubro de 2020, 16h56

Os contratos de opções envolvendo ações de tecnologia podem ter dominado as manchetes, mas um dos pensadores mais influentes do universo de finanças alerta que a confusão nos mercados neste ano tem causado problemas em outras partes do sistema.

Robert Whaley, o criador do Índice VIX, também conhecido como "Índice do Medo", que mede a volatilidade das ações no índice de ações S&P 500, está investigando uma ampla questão no mercado de derivativos de produtos negociados em bolsa.

O problema aparece quando determinados produtos ajustam suas estratégias de investimento. Era um evento raro, mas aconteceu várias vezes durante a turbulência extrema de 2020. Detentores de opções perderam centenas de milhões de dólares por causa disso.

“Essas coisas não acontecem com tanta frequência, mas ocorreram com regularidade crescente nos últimos meses”, disse Whaley em entrevista. “Estou interessado em questões de integridade e isto é a antítese para mim.”

Quando um produto negociado em bolsa altera sua alavancagem ou muda onde investe — como quando o United States Oil Fund (código de negociação USO) começou a comprar contratos futuros de petróleo de prazo mais longo à medida que os preços despencaram —, o perfil do produto pode se transformar radicalmente. Mas, diferentemente de outras decisões corporativas, como a venda de ações ou desmembramento de papéis, as opções não são ajustadas para compensar.

Em outras palavras, qualquer um que comprasse opções para apostar que o valor do USO cairia provavelmente viu o valor da aposta despencar porque as decisões do fundo significavam que o mesmo estava melhor posicionado para enfrentar a turbulência.

“Enquanto fazem essas mudanças, eles estão reduzindo a volatilidade” de um produto, disse Whaley, que é professor de finanças na Universidade Vanderbilt, em Nashville. “Isso diminui o valor para quem comprou uma opção.”

À primeira vista, pode parecer uma preocupação esotérica. Os tipos de produto que fazem esses ajustes tendem a ser alavancados ou especializados e não destinados ao público geral. E, teoricamente, investir em seus derivativos deveria ser uma prática de nicho.

Mas o mercado de opções envolvendo produtos negociados em bolsa está crescendo.

Apenas em agosto, foram negociados 47 bilhões de dólares em derivativos de fundos negociados em bolsa (ETF), segundo a Options Clearing Corporation, comparado a 34 bilhões de dólares um ano antes. Whaley acha que as autoridades reguladoras e a maioria dos participantes do mercado ainda não perceberam todas as consequências da situação.