Yuan: moeda chinesa segue fortalecida diante do desempenho das exportações (Thomas Ruecker/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 15 de maio de 2026 às 08h02.
O mercado chinês encerrou a semana em tom mais cauteloso após o encontro entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não trazer avanços concretos até o momento.
Sem anúncios relevantes sobre chips, tarifas ou acordos econômicos, ações chinesas perderam força depois de cinco semanas seguidas de alta, apesar de Trump ter afirmado que a China irá comprar petróleo dos EUA.
O índice CSI 300 recuou 0,3% na semana, interrompendo a sequência positiva de antes da reunião.
O movimento foi mais intenso nas empresas de tecnologia, setor que vinha concentrando apostas de investidores diante da possibilidade de flexibilização nas restrições dos EUA sobre semicondutores.
A bolsa chinesa voltada para companhias de inovação, comparada à Nasdaq dos EUA, caiu 2,7% após atingir máxima recorde, segundo informações da Bloomberg.
A avaliação predominante no mercado foi de que o encontro evitou uma deterioração nas relações entre as duas maiores economias do mundo, mas não alterou de forma relevante o cenário para ativos chineses.
Algo que gestores já estavam prevendo, a exemplo do Morgan Stanley, que havia projetado apenas um impacto moderado para os índices chineses, sem expectativa de uma reprecificação ampla do mercado.
Já o Goldman Sachs considerava que as tensões entre Washington e Pequim não eram, naquele momento, o principal fator de pressão sobre os mercados globais.
Como parte do mercado esperava algum sinal relacionado ao acesso chinês a chips estadunidenses para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), o setor de tecnologia acabou concentrando as vendas na bolsa.
Isso porque, sem novidades, voltou a ganhar espaço a estratégia de investimento ligada à produção doméstica de tecnologia e à redução da dependência externa, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg.
O tom adotado pelos dois governos foi interpretado como menos hostil do que em encontros anteriores. Em declarações após a reunião, autoridades chinesas falaram em "estabilidade estratégica construtiva" nas relações com os EUA.
Trump também afirmou que os dois países concordaram sobre a necessidade de manter aberto o Estreito de Ormuz para garantir o fluxo global de energia, e disse que a China não forneceria equipamentos militares ao Irã.
No câmbio, o yuan continuou mostrando força ao longo da semana, mesmo diante da valorização global do dólar. A moeda chinesa teve o segundo melhor desempenho da região asiática no período, atrás apenas do dólar de Hong Kong.
A valorização ganhou impulso depois de o Banco do Povo da China (PBOC, em inglês) definir uma taxa de referência mais forte para o yuan na quinta-feira, 14.
O movimento levou o Deutsche Bank a revisar sua projeção para o câmbio chinês. O banco agora espera que o yuan encerre 2026 em 6,55 por dólar.Analista sênior da Ebury, Roman Ziruk vê, também, que o superávit em conta corrente da China, próximo de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos trimestres, segue oferecendo suporte para a valorização do yuan.
Além disso, a sócia da East Capital Asset Management, Karine Hirn, ressaltou que a fala de Trump de que sua delegação estava "prestando respeito" à China marcou uma mudança relevante no discurso adotado antes.