Lucro das empresas na B3: lucro das 10 maiores empresas da B3 cresceu 37,2% em 2025, alcançando R$ 288,6 bilhões, segundo levantamento da Elos Ayta (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 9 de abril de 2026 às 13h38.
O lucro das 10 maiores empresas da B3 cresceu 37,2% em 2025, alcançando R$ 288,6 bilhões, segundo levantamento da Elos Ayta divulgado nesta quinta-feira, 9.
O avanço ocorre em um ano particularmente positivo para o mercado acionário brasileiro, em que o Ibovespa acumulou valorização de 33,95%, o melhor desempenho desde 2016. Ao longo do ano passado, o principal índice acionário registrou 32 recordes ao longo do período, impulsionado por um rali mais intenso nos últimos meses.
Em termos de lucro, o principal destaque foi a Petrobras (PETR3 e PETR4). O levantamento da consultoria mostra que a estatal não apenas liderou o ranking de lucratividade, como também ampliou de forma significativa a concentração de resultados entre as maiores companhias.
Em 2025, a empresa reportou lucro de R$ 110,1 bilhões, um salto de 200,8% na comparação anual, passando a responder por 38,2% do lucro total das dez maiores, mais que o dobro da fatia de 17,4% registrada em 2024.
"Esse movimento revela um ponto central: o crescimento agregado do lucro na elite da B3 não foi homogêneo, mas fortemente concentrado em poucos players, com protagonismo claro do setor de óleo e gás", diz a Elos Ayta.
Na sequência da petrolífera, aparecem os grandes bancos. O Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) ocupam a segunda e terceira posições, com lucros de R$ 45,7 bilhões e R$ 24,6 bilhões, respectivamente.
O setor financeiro mantém presença dominante entre as maiores companhias, com cinco instituições, ao todo, no ranking. O Banco do Brasil aparece em quarto, com lucro de 17,6 bilhões no lucro. Ele é seguido por Itaúsa (ITSA4) e BTG (BPAC11), em quinto e sexto lugar, respectivamente, e Santander (SANB11), na 9ª posição.
"Um sinal de resiliência mesmo em um ambiente mais desafiador para juros e crédito", afirmou a consultoria.
Nem todas as gigantes, porém, acompanharam o ciclo positivo. O lucro do Banco do Brasil representou uma queda de 49,8%, no ano passado, enquanto a Vale (VALE3) teve recuo de R$ 17,8 bilhões (-56,3%).
No caso da mineradora, o estudo destaca que o desempenho reflete, em grande medida, a dinâmica internacional das commodities metálicas, especialmente o minério de ferro, além de uma base de comparação elevada no ano anterior, quando lucro R$ 31,5 bilhões.
Por outro lado, a Suzano protagonizou uma das maiores reviravoltas do período. A companhia saiu de um prejuízo de R$ 7,1 bilhões em 2024 para um lucro de R$ 13,4 bilhões em 2025, uma reversão de R$ 20,5 bilhões, o maior ganho absoluto entre as empresas analisadas, excluindo a Petrobras.
"O movimento evidencia a volatilidade, e o potencial de recuperação, do setor de papel e celulose, altamente exposto ao ciclo global e ao câmbio", disse o estudo.
Apesar do crescimento robusto do lucro agregado, o levantamento aponta para um cenário mais concentrado.
"No entanto, a análise mais detalhada indica um cenário mais complexo: a expansão está concentrada em poucos nomes e setores, com destaque desproporcional da Petrobras", afirmou. "Esse padrão levanta uma discussão relevante para investidores e analistas: mais do que o crescimento nominal, ganha importância a avaliação da qualidade e da sustentabilidade desses lucros, especialmente diante da dependência de fatores externos como commodities e ciclos globais".