Repórter
Publicado em 31 de março de 2026 às 18h37.
A Nike superou as expectativas de lucro e receita no terceiro trimestre fiscal, mas apresentou desempenho desigual em seus principais mercados regionais, segundo resultados divulgados nesta terça-feira, 31.
Na América do Norte, principal mercado da companhia, a receita avançou 3%, alcançando US$ 5,03 bilhões, abaixo da projeção de US$ 5,04 bilhões, de acordo com estimativas da consultoria StreetAccount. Já na China, a receita recuou 7%, para US$ 1,62 bilhão, apesar de superar as previsões de analistas.
O lucro líquido foi de US$ 520 milhões no trimestre encerrado em 28 de fevereiro, marcando uma queda de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. A retração foi associada à redução de 1,3 ponto percentual na margem bruta, para 40,2%, impactada principalmente pelo aumento de tarifas na América do Norte.
As apostas futuristas da Nike para impulsionar sua retomada financeiraA receita total permaneceu praticamente estável na comparação anual, passando de US$ 11,27 bilhões para US$ 11,28 bilhões.
Após a divulgação dos resultados, as ações da empresa registraram queda de 3% no pregão estendido. O desempenho ocorre mesmo com a Nike superando as estimativas consolidadas de mercado, o que mantém dúvidas sobre o ritmo de recuperação.
No consolidado, a empresa reportou lucro por ação de US$ 0,35, acima da projeção de US$ 0,28, e receita de US$ 11,28 bilhões, frente aos US$ 11,24 bilhões esperados por analistas consultados pela London Stock Exchange Group (LSEG).
A companhia de artigos esportivos segue em processo de reestruturação sob a liderança do CEO Elliott Hill, que assumiu o cargo há cerca de um ano e meio. Segundo o executivo, o ritmo de evolução varia entre as áreas do negócio.
"As áreas que priorizamos inicialmente continuam impulsionando o crescimento", disse Hill. "O trabalho não está concluído, mas a direção é clara, nossas equipes estão trabalhando com foco e urgência, e nossa base está se fortalecendo ainda mais para construir o futuro da Nike."
O CFO Matt Friend afirmou que os efeitos da reestruturação devem continuar impactando os resultados ao longo do ano fiscal.
A Nike tem direcionado esforços para fortalecer o canal de atacado, cuja receita cresceu 5%, totalizando US$ 6,5 bilhões. Em sentido oposto, as vendas diretas ao consumidor recuaram 4%, somando US$ 4,5 bilhões.
O ambiente macroeconômico também influencia o desempenho. A companhia enfrenta impactos de tensões comerciais globais e da elevação de custos, que afetam o consumo. O aumento dos preços de energia e pressões inflacionárias pode reduzir a demanda por itens considerados não essenciais, como vestuário e calçados.