Carros: Avis acumula prejuízos bilionários desde 2023. (Top Photo Corporation/Thinkstock)
Repórter de Invest
Publicado em 25 de abril de 2026 às 08h00.
Última atualização em 25 de abril de 2026 às 08h44.
Em menos de quatro semanas, as ações da Avis Budget Group saíram de um patamar deprimido para encostar em US$ 847, uma valorização de até 700% que recolocou a locadora de carros no radar do mercado.
O pico foi atingido na abertura do pregão de quarta-feira, 22, mas não se sustentou. Ao fim do dia, os papéis já acumulavam queda de 48% em relação à máxima, em grande volatilidade.
A companhia vem de dois anos de prejuízos bilionários pressionada pela desvalorização de carros usados e por apostas de custos elevados, como a expansão da frota elétrica.
A disparada, segundo especialistas, não reflete exatamente uma melhora operacional, mas um short squeeze, ou seja, alta e queda intensas das ações.
O short squeeze ocorre quando investidores posicionados na queda, chamados vendidos, são forçados a recomprar ações para limitar perdas, criando uma pressão adicional de demanda e elevando ainda mais os preços.
No caso da Avis, o gatilho foi a concentração agressiva de ações nas mãos de dois fundos de hedge.
Documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, denominada SEC, mostram que SRS Investment Management e Pentwater Capital passaram a deter, juntas, 71% dos papéis da companhia.
A Pentwater, por exemplo, ampliou sua participação de cerca de 8% para 22% em poucos meses. Com menos ações disponíveis no mercado, a pressão sobre os vendidos se intensificou rapidamente.
Dados da Ortex repercutidos pela Forbes indicam que cerca de 86% do free float (ações disponíveis no mercado) da Avis estava em posições vendidas nesta semana, perto do recorde histórico.
O resultado ocasionou muitas recompras, que impulsionaram os preços e geraram perdas estimadas em US$ 5 bilhões para os short sellers, isto é, que apostavam na queda dos papéis, segundo a S3 Partners.
Em 2021, investidores comuns, articulados em fóruns como o Reddit, passaram a comprar ações de empresas esquecidas em massa e de forma coordenada, forçando uma alta artificial que fez grandes fundos perderem bilhões.
A comparação com os chamados "meme stocks" do período difere um pouco do momento de agora, quando o desequilíbrio da oferta foi provocado, principalmente, por investidores institucionais.
Os traders até embarcaram na alta, mas não foram o motor do rali, na avaliação da Vanda Research divulgada pela Forbes. E a própria Avis já viveu um episódio semelhante.Em novembro de 2021, os papéis chegaram a US$ 545 após resultados acima do esperado e anúncios ligados a carros elétricos. O entusiasmo foi passageiro, assim como atualmente.
Agora o mercado volta as atenções para os resultados do primeiro trimestre, previstos para maio. Investidores querem sinais de alívio nos custos e resiliência na demanda.
Mas o principal risco está na oferta de ações. Antes do rali, a empresa aprovou a emissão de cinco milhões de novos papéis para reforçar o caixa e reduzir o endividamento, segundo fontes ouvidas pela Forbes.