Agenda desta quarta, 15: o principal destaque da agenda dos EUA é a divulgação, às 15h, do Livro Bege do Fed, relatório qualitativo que reúne avaliações das condições econômicas nos 12 distritos da autoridade monetária e costuma influenciar as expectativas para os próximos passos da política de juros no país ( Bloomberg/Getty Images)
Colaboradora na Exame
Publicado em 15 de abril de 2026 às 05h30.
A agenda desta quarta-feira, 15, reúne uma combinação relevante de indicadores de atividade, inflação e mercado imobiliário nas principais economias, além do Livro Bege do Federal Reserve (Fed) e da divulgação de resultados de grandes bancos norte-americanos. O conjunto de eventos tende a influenciar as apostas para a trajetória de juros globais e o apetite por risco ao longo do dia.
Entre os destaques estão dados do primeiro trimestre da China, indicadores de consumo no Brasil, números de inflação ligados ao comércio exterior dos Estados Unidos e discursos de dirigentes de bancos centrais da Europa, Reino Unido e do próprio Fed.
A temporada de balanços em Wall Street também ganha tração, com resultados de Bank of America e Morgan Stanley antes da abertura dos mercados norte-americanos.
Logo cedo, a agenda europeia traz dados de inflação da França e da produção industrial da zona do euro, indicadores relevantes para calibrar as apostas sobre o ritmo de cortes de juros pelo Banco Central Europeu (BCE).
Para março, a expectativa é de alta de 0,3% na produção industrial na comparação mensal, após a retração observada no mês anterior, enquanto no acumulado anual o indicador ainda deve mostrar queda de 1,4%.
Também estão previstos discursos de dirigentes monetários relevantes, incluindo, Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra, às 12h50, e Christine Lagarde, presidente do BCE, às 16h30, cujas sinalizações costumam impactar a curva de juros global.
Nos EUA, a agenda começa às 08h00 com a divulgação dos dados de hipotecas MBA, índice de compras MBA e informações sobre pedidos de refinanciamentos imobiliários — indicadores acompanhados de perto como termômetro da sensibilidade do setor imobiliário ao nível elevado dos juros.
Às 9h30, serão publicados os dados de março dos preços de importação e exportação, além do índice de atividade industrial Empire State. Na leitura anterior, referente a fevereiro, os preços de exportação haviam avançado 1,5%, enquanto os de importação registraram alta de 1,3%, reforçando o monitoramento do mercado sobre a inflação em bens.
Ainda às 9h30, está prevista o discurso do vice-presidente de supervisão do Fed, Michael Barr, com possíveis sinalizações sobre estabilidade financeira e política monetária.
Às 11h, será divulgado o índice de confiança das construtoras (NAHB). Na sequência, às 11h30, saem os dados semanais de estoques de petróleo e gasolina, atividade das refinarias e importações de petróleo bruto, publicados pela Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês), que costumam influenciar as cotações da commodity.
Na última divulgação, os estoques tiveram uma alta de mais de três milhões de barris, enquanto o mercado projetava queda de um milhão.
Já no período da tarde, às 14h45, a diretora do Fed Michelle Bowman também discursa, reforçando a bateria de falas de autoridades monetárias ao longo do dia.
Mas o principal destaque da agenda dos EUA é a divulgação, às 15h, do Livro Bege do Fed, relatório qualitativo que reúne avaliações das condições econômicas nos 12 distritos da autoridade monetária e costuma influenciar as expectativas para os próximos passos da política de juros no país.
Para fechar a tarde, às 17h, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulga os dados de transações líquidas de longo prazo, indicador que mede a diferença mensal entre as compras de títulos estrangeiros de longo prazo por investidores norte-americanos e as aquisições de títulos do país por investidores estrangeiros.
O dado funciona como termômetro do apetite internacional por ativos dos EUA e pode influenciar a dinâmica do dólar. Em janeiro, o indicador registrou entrada líquida de US$ 15,5 bilhões.
Na Ásia, o foco inicial dos investidores recai sobre a divulgação do PIB do primeiro trimestre da China, às 23h00, acompanhada por números de produção industrial, vendas no varejo, investimento em ativos fixos e taxa de desemprego.
O pacote de indicadores deve ajudar a calibrar a leitura sobre o ritmo de recuperação da segunda maior economia do mundo, com impacto direto sobre commodities, moedas emergentes e empresas exportadoras.
Ainda na região, dados do mercado de trabalho australiano e indicadores de investimento do Japão também entram no radar por influenciarem expectativas sobre política monetária e fluxo internacional de capitais.
No Brasil, a agenda começa às 08h00 com a divulgação do IGP-10 de abril pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicador acompanhado de perto como sinalizador antecipado da inflação, especialmente no atacado. Em março, o índice havia registrado recuo de 0,2%.
Na sequência, às 09h00, sai o principal dado doméstico do dia: as vendas no varejo de fevereiro, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador é relevante para calibrar as projeções de consumo das famílias e de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Na leitura anterior, o varejo havia avançado 0,4% na comparação mensal e 2,8% em termos anuais.
Mais tarde, às 14h30, o Banco Central (BC) publica o fluxo cambial semanal, dado importante para acompanhar a dinâmica recente de entrada e saída de recursos do Brasil. Na última divulgação, o saldo foi negativo em US$ 2,654 bilhões.
No campo político, a partir das 10h00, investidores acompanham ainda a tramitação do projeto de lei 67/2025, medida que propõe o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias com um dia de descanso.
A proposta tem potencial impacto sobre custos trabalhistas, produtividade e decisões de investimento, especialmente em setores intensivos em mão de obra.
A temporada de resultados nos Estados Unidos avança com a divulgação dos números de Bank of America e Morgan Stanley no pré-mercado.
Os resultados dessas instituições são acompanhados de perto por funcionarem como termômetro da atividade de crédito, do desempenho do mercado de capitais e da saúde do sistema financeiro norte-americano — fatores relevantes para a leitura do ciclo econômico global.
No caso do Bank of America, o banco superou as expectativas de lucro no trimestre anterior, impulsionado principalmente pela forte receita de juros líquidos e pelo bom desempenho em renda variável. Para este trimestre, analistas projetam crescimento de cerca de 10% no lucro em relação ao mesmo período do ano passado, segundo estimativas da LSEG e divulgado pela CNBC.
De acordo com a agência, no fim de março, o HSBC elevou a recomendação das ações do banco para compra, citando o potencial de reprecificação de ativos de renda fixa, expansão de balanço acima da média dos pares e ganhos de eficiência de capital como fatores que podem sustentar crescimento de lucro por ação em ritmo de dois dígitos nos próximos anos.
Historicamente, dados da Bespoke divulgados pelo CNBC mostram que o Bank of America supera as estimativas em cerca de 81% dos trimestres, embora as ações costumem apresentar leve queda no dia da divulgação dos resultados. A teleconferência com executivos está prevista para as 08h30 (horário de Nova York).
Já o Morgan Stanley, conforme informado pela agência de notícias, também superou as projeções no trimestre anterior, com destaque para o desempenho da divisão de gestão de fortunas.
Investidores acompanham agora se a força das áreas de trading e wealth management será suficiente para sustentar os resultados em um ambiente de maior volatilidade e incerteza geopolítica, que tende a alongar o prazo de fechamento de operações e pressionar receitas com taxas em mercado de capitais.
Segundo a Bespoke e divulgado pela CNBC, o banco vem superando as expectativas de lucro em todos os trimestres desde o início de 2023. A divulgação ocorre antes da abertura dos mercados, com teleconferência marcada para as 09h30 (horário de Nova York).
No cenário geopolítico, o conflito entre Estados Unidos e Irã segue como um dos principais vetores de risco para os mercados globais, sobretudo pelo impacto potencial sobre os preços de energia e as expectativas de inflação.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a projeção de crescimento mundial para 2026, estimando expansão de 3,1%, 0,2 ponto percentual abaixo da previsão anterior, ao mesmo tempo em que elevou a estimativa de inflação global para 4,4%.
A combinação de petróleo mais caro e maior incerteza geopolítica tende a reforçar a cautela de bancos centrais e pode adiar o ritmo de cortes de juros em economias avançadas.
O principal ponto de atenção dos investidores permanece o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% das exportações globais de petróleo e gás.
Qualquer sinal de interrupção no fluxo pela rota — seja por escalada militar, seja por medidas de pressão logística ou diplomática — tem potencial de provocar volatilidade relevante nas cotações do petróleo, com efeitos diretos sobre moedas emergentes, ativos de risco e expectativas inflacionárias globais.
Neste momento, o Irã avalia interromper temporariamente os envios pelo Estreito de Ormuz para evitar confronto com os EUA e preservar negociações diplomáticas em curso, segundo informações da Bloomberg com base em fonte próxima às discussões em Teerã.
A possível medida ocorre em um momento de articulação entre autoridades iranianas e norte-americanas para viabilizar uma nova rodada de conversas presenciais. A pausa teria como objetivo reduzir o risco de escalada imediata enquanto os dois países discutem a extensão de um cessar-fogo.
Ainda assim, a possibilidade de restrições temporárias ao transporte de petróleo ou de medidas de pressão envolvendo o estreito mantém o mercado em modo de cautela, com impacto direto sobre commodities, juros globais e projeções de crescimento.