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Lionsgate tem melhor trimestre em 12 anos e primeira bilheteria bilionária com 'Michael'

Números mais recentes ainda não incorporaram desempenho com cinebiografia do 'rei do pop'

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 13 de julho de 2026 às 17h38.

A Lionsgate até recentemente enfrentava uma crise prolongada e vem se recuperando financeiramente. Em maio, a companhia reportou seu trimestre fiscal mais forte em mais de uma década. Agora, o estúdio conquistou sua primeira bilheteria bilionária com "Michael", cinebiografia do cantor Michael Jackson, segundo dados da Rentrak.

O feito representa um novo capítulo na recuperação do estúdio, última grande produtora hollywoodiana a não fazer parte de um conglomerado midiático. O resultado trimestral, vale notar, fechou antes de "Michael" estrear nos cinemas e, portanto, não inclui um único dólar da bilionária cinebiografia.

O trimestre encerrado em 31 de março já havia sido o mais forte da empresa em 12 anos. O próximo balanço será o primeiro a incorporar o desempenho de "Michael", que sozinho se tornou o maior sucesso comercial da história da Lionsgate.

Da crise à recuperação financeira

Até pouco tempo atrás, a Lionsgate parecia caminhar na direção do desmonte. Em 2024, o estúdio lançou 17 filmes e arrecadou apenas US$ 251 milhões nas bilheterias domésticas, resultado 85% inferior ao pico registrado em 2012, quando franquias como "Jogos Vorazes", "Crepúsculo" e "Os Mercenários" ajudaram a companhia a arrecadar US$ 1,72 bilhão.

Com a sequência de resultados fracos, as ações da empresa chegaram a US$ 5,76, o menor patamar desde a pandemia de Covid-19. A leitura predominante em Wall Street e em Hollywood era que a melhor saída para a Lionsgate seria encontrar um comprador, como a Warner fez.

Jogos Vorazes

"Jogos Vorazes": sucesso da franquia ajudou a levar a Lionsgate ao auge da década passada (Divulgação)

O cenário mudou rapidamente. Desde junho do ano passado, as ações da Lionsgate acumulam alta de cerca de 130%. No trimestre encerrado em 31 de março, o lucro operacional cresceu 52% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita total avançou de US$ 865,6 milhões para US$ 906,5 milhões, enquanto a companhia passou de um prejuízo líquido de US$ 117,4 milhões para um lucro de US$ 70,2 milhões, equivalente a US$ 0,23 por ação diluída.

O OIBDA ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de itens específicos, atingiu US$ 165,4 milhões, o maior nível para um trimestre em 12 anos.

A geração de caixa também melhorou. O fluxo de caixa livre ajustado somou US$ 190,4 milhões, enquanto a posição de caixa aumentou de US$ 212,5 milhões para US$ 341,5 milhões em um ano.

Segundo o CEO Jon Feltheimer, a companhia inicia o novo ano fiscal apoiada na força de sua biblioteca de conteúdo e no desempenho de filmes como "A Empregada" e "Michael".

"O leão está rugindo", resumiu Sean Diffley, chefe de pesquisa de mídia e entretenimento do Morgan Stanley, ao The New York Times.

"A Empregada" preparou o terreno

Antes mesmo de "Michael", a recuperação já vinha sendo impulsionada pela divisão de cinema. A receita do segmento cresceu 23%, para US$ 651,9 milhões, enquanto o lucro avançou 39%, chegando a US$ 187,1 milhões.

Grande parte desse desempenho veio de "A Empregada", thriller baseado no livro de Freida McFadden. Produzido por US$ 35 milhões, o longa arrecadou cerca de US$ 400 milhões nas bilheterias mundiais e se tornou o filme Pay One de maior receita da história da Starz, além do maior sucesso de aluguel digital entre produções de desempenho semelhante.

"A Empregada": thriller de baixo orçamento abriu caminho para a recuperação da Lionsgate (Reprodução)

Já a divisão de televisão teve um trimestre mais fraco por causa do calendário de entregas de episódios. Ainda assim, a empresa pretende praticamente dobrar a produção de séries roteirizadas no atual ano fiscal.

"Michael" inaugura uma nova fase

Embora nenhum desses resultados inclua a receita de "Michael", o impacto do filme já é evidente. A produção ultrapassou US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais e tornou-se o maior sucesso comercial da história da Lionsgate.

O filme chegou aos cinemas apenas depois do encerramento do trimestre fiscal, o que significa que nenhum dólar de sua bilheteria aparece no balanço divulgado em maio.

Jaafar Jackson interpreta Michael Jackson no filme 'Michael'

Jaafar Jackson: ator interpreta Michael Jackson no filme 'Michael' (Glen Wilson/Lionsgate/Divulgação)

O estúdio assumiu um projeto estimado em US$ 150 milhões depois que grandes concorrentes recusaram financiá-lo por considerarem arriscadas as controvérsias envolvendo Michael Jackson. A distribuição internacional ficou a cargo da Universal e da Kino Films.

Agora, a Lionsgate prepara continuações tanto de "Michael" quanto de "A Empregada", algo que, segundo analistas, faz da empresa o único grande estúdio de Hollywood a criar duas novas franquias cinematográficas de sucesso no mesmo ano.

Pelos dados do Box Office Mojo, "Michael" ocupa atualmente a segunda maior bilheteria mundial de 2026.

PosiçãoFilmeBilheteria mundial
The Super Mario Galaxy MovieUS$ 1.009.599.439
MichaelUS$ 1.001.690.578
Toy Story 5US$ 879.072.720

O desafio agora é manter o ritmo

O momento positivo também é atribuído à gestão de Adam Fogelson, que assumiu a divisão de cinema da Lionsgate em 2024. Sob sua liderança, lançamentos como "The Long Walk", "Now You See Me: Now You Don't" e "Michael" ajudaram o estúdio a conquistar cerca de 10% da bilheteria doméstica americana em 2026, participação quase duas vezes maior que a da Warner Bros..

Nos próximos meses, a companhia aposta na sequência de "Jogos Vorazes", além de projetos ligados às franquias "John Wick", "Rambo", "Jogos Mortais", "A Bruxa de Blair", "Dirty Dancing" e novas iniciativas envolvendo "Crepúsculo".

Apesar da recuperação, os desafios permanecem. A Lionsgate segue como o único grande estúdio de Hollywood operando de forma independente e carrega US$ 1,78 bilhão em dívida de longo prazo, além de outros US$ 1,29 bilhão em empréstimos vinculados a filmes e séries. A companhia continua despertando interesse de potenciais compradores, mas, depois da sequência de sucessos recentes e do primeiro filme bilionário de sua história, passou a negociar seu futuro em uma posição muito mais favorável.

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