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Kevin Warsh diz que o Fed necessita de novo arcabouço para lidar com a inflação

Em sabatina, o indicado de Trump para dirigir o banco central dos EUA responsabilizou seus antecessores por acelerarem a inflação após a pandemia

Kevin Warsh: indicado de Donald Trump para a presidência do Federal Reserve (Fed)

Kevin Warsh: indicado de Donald Trump para a presidência do Federal Reserve (Fed)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 21 de abril de 2026 às 14h32.

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Kevin Warsh, nomeado pelo presidente Donald Trump para liderar o banco central dos Estados Unidos, afirmou que o Federal Reserve (Fed) necessita de uma nova abordagem para lidar com a inflação persistente, sem fornecer detalhes adicionais sobre o que isso implicaria.

Nesta terça-feira, 21, Warsh presta depoimento em uma audiência no Comitê Bancário do Senado americano. Na sabatina, ele responsabilizou o Fed pela aceleração da inflação após a pandemia de Covid-19 e destacou que os preços elevados continuam afetando a vida dos americanos.

"Embora seja verdade que a inflação esteja menos problemática, no sentido de que o ritmo de aumento dos preços é menos severo do que era há alguns anos, os americanos trabalhadores sem dúvida ainda a sentem", argumentou.

Em seu discurso, Warsh também defendeu novas abordagens na política monetária adotada pelo Fed. No entanto, ele não explicou qual seria o impacto dessa iniciativa nas taxas de juros.

"Acho que isso significa uma mudança de regime na condução da política monetária. Acho que isso significa um novo e diferente arcabouço para a inflação".

Pressão de Trump sobre o Fed

Kevin Warsh focou boa parte de sua fala inicial na relevância da autonomia do Fed. Nos últimos tempos, surgiram preocupações sobre a capacidade da instituição de determinar as taxas de juros sem interferências externas, especialmente com a pressão de Donald Trump, que vem pedindo há meses uma redução mais agressiva nas taxas, segundo informações da Bloomberg.

No início deste ano, Jerome Powell, o atual presidente do Fed, divulgou um vídeo no qual afirmou que o Departamento de Justiça estava investigando se ele havia mentido durante uma audiência no Congresso no ano anterior. Powell chamou a investigação de um pretexto, afirmando que ela estava acontecendo porque o Fed não havia reduzido os juros o suficiente.

As declarações de Trump, sua tentativa de demitir a diretora Lisa Cook e a investigação do Departamento de Justiça sobre o Fed geraram temores de que Trump possa exercer influência sobre o novo presidente da instituição, pressionando-o a adotar uma postura mais agressiva na redução das taxas de juros.

"Fantoche" da Casa Branca

Na manhã desta terça-feira, um senador democrata questionou Warsh sobre como ele lidaria com a pressão de Trump para cortar os juros e se sentiria influenciado por ela. "Presidentes tendem a ser favoráveis à queda dos juros. Acho que a diferença é que o presidente Trump expressa isso de forma bastante pública", comentou. "A independência cabe ao Fed. A liderança do Fed precisa decidir o que é a coisa certa a fazer", completou.

Warsh assegurou que tomaria decisões "de forma independente à frente do Federal Reserve" e, quando questionado pelo senador John Kennedy, de Louisiana, se seria um "fantoche" de Trump, respondeu com firmeza: "absolutamente não". Ele ainda destacou que Trump nunca pediu qualquer compromisso relacionado a decisões sobre as taxas de juros.

Os dirigentes mais ricos do Fed

O Federal Reserve tem se esforçado para manter sua independência nas últimas décadas, e estudos econômicos indicam que países cujos bancos centrais não sofrem interferência política ou de ciclos eleitorais tendem a ter maior estabilidade nos preços e melhores resultados econômicos.

Quando a senadora Elizabeth Warren, também democrata, questionou Warsh sobre a eleição presidencial de 2020, ele evitou comentar diretamente sobre se Trump havia perdido, observando apenas que o Congresso certificou Joe Biden como presidente após o pleito.

Warsh também afirmou que venderia quaisquer ativos não divulgados antes de assumir a presidência do Fed. Ele e sua esposa, Jane Lauder, revelaram ativos no valor de pelo menos US$ 192 milhões em documentos financeiros relacionados ao processo de sua nomeação. No entanto, estima-se que seu patrimônio líquido seja ainda maior, o que o colocaria entre os dirigentes mais ricos da história do banco central americano.

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