Juros, inflação e balanços: o que move os mercados na próxima semana

Apostas sobre o Copom seguem movimentando curva de juros; Vale e Santander divulgam seus resultados

Temporada de balanços ganha força com resultados de Santander e Vale (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)

Temporada de balanços ganha força com resultados de Santander e Vale (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)

B
Bloomberg

23 de abril de 2022, 11h09

Entre os assuntos que devem dominar o noticiário da próxima semana, os juros futuros devem seguir com o ajuste das apostas para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic.

Veja também
Calendário de balanços do 1º trimestre de 2022: confira as datas
'Teremos inflação alta por um par de anos a mais', diz Torós

A curva de juros deve acompanhar os sinais mais recentes do Banco Central, além de refletir ainda  a mais recente pesquisa Focus, com a expectativa de economistas, e também o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) 15, que será divulgado na próxima semana.

Nos EUA, a divulgação do PIB e de dados do consumo podem mover precificações de alta dos juros do Fed (Federal Reserve, banco central americano).

No noticiário corporativo, relatório da Petrobras (PETR3/PETR4) e balanços da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) movem a bolsa brasileira. Reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), desdobramentos da tensão entre governo e STF e pesquisas de intenção de voto para as eleições também estão no radar. Veja os principais destaques:

Sinais do BC

Menos de uma semana antes de começar o período de silêncio do Banco Central para a reunião do Copom de 4 de maio, os juros futuros curtos caem. Os investidores reduzem o prêmio para altas da Selic além de maio após notícias de que os discursos dos dirigentes do BC durante eventos em Washington foram mais dovish (favorável a juros mais baixos).

As falas do presidente do BC, Roberto Campos Neto, reiteraram o tom do comunicado do Copom anterior, no qual o BC sinalizou que o aperto terminaria com nova elevação de 1ponto percentual (p.p.) na próxima reunião, segundo analistas. Enquanto os juros curtos caem, os longos sobem e o dólar dispara mais de 3% nesta sexta-feira. O BC disse que não comentaria as análises do mercado.

Focus e IPCA-15

As expectativas para o Copom devem ser influencidas pelas divulgações da pesquisa Focus na terca-feira, -- a primeira depois que a greve dos funcionários atrasou os indicadores do BC --, e pelo IPCA-15. A pesquisa tende a refletir o aumento das projeções para o IPCA e PIB já anunciadas por bancos nas últimas semanas. O IPCA-15, no dia 27, pode ter leve alívio com os cortes das tarifas de eletricidade e preços do gás de cozinha em vigor em abril mas outros fatores, como os preços de combustíveis, ainda devem levar a uma inflação alta até o meio do mês. A semana ainda terá o IGP-M fechado de abril. Espera-se também uma definição do BC sobre a divulgação de outros dados atrasados pela greve, como o IBC-Br. Já o Conselho Monetário Nacional se reúne no dia 28.

PIB e PCE nos EUA

Assim como o BC brasileiro, nos EUA o Fed também entra na semana que vem na contagem regressiva para a decisão de política monetária de 4 de maio. Novas falas de dirigentes do BC americano não estão programadas, após a pressão dos yields causadas pelos comentários hawkish (favoráveis a juros mais altos) do presidente Jerome Powell nesta quinta-feira.

A agenda americana ainda traz dados importantes, como o PIB do 1º trimestre e o deflator PCE. A zona do euro também divulga dados de inflação e PIB na próxima semana, quando ainda saem PMIs na China e decisão do BC do Japão.

Quadro político

Os investidores avaliam ainda eventuais desdobramentos da decisão do presidente Jair Bolsonaro de conceder graça ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) logo após condenação a oito anos e nove meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A medida presidencial não livra o parlamentar da inelegibilidade e poderá ser contestada, se for interpretada como desvio de finalidade, ao ferir os princípios da impessoalidade e da moralidade, de acordo com o jornal O Globo.

O mercado também segue atento às pesquisas eleitorais, que seguiram nesta semana mostrando um estreitamento da vantagem do ex-presidente Lula sobre Bolsonaro após o ex-ministro Sergio Moro se afastar da disputa. Mesmo após a suspensão da greve do BC, as paralisações de servidores devem seguir no radar. Os policiais federais prometem manifestação no dia 28.

Petrobras e Vale

A Petrobras informa dados de produção e vendas do 1º trimestre na quarta-feira, 27, após o fechamento dos mercados. O balanço completo da estatal petrolífera sai na semana seguinte, no dia 5 de maio. Vale divulga balanço no dia 27, enquanto o Santander abre a temporada de balanços de bancos na terça-feira, 26. Embraer e Gol também estão entre as companhias que informam os resultados trimestrais nos próximos dias. Veja o calendário completo aqui.