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Remy Sharp
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A Selic a 13,75% também está sendo um remédio amargo para o setor imobiliário. Os juros básicos mais altos e o cenário macroeconômico, com mais famílias endividadas, têm diminuido a oferta de financiamento para compra de imóveis. Nesse contexto, a taxa de juro do financiamento imobiliário ficou mais alta, chegando a dois dígitos.

O grande encarecedor do crédito imobiliário, no entanto, são os saques observados na poupança nos últimos meses. Em janeiro e fevereiro, a retirada de recursos da caderneta de poupança bateu recorde. Em março, esse saldo negativo diminui, sendo de R$ 6,09 bilhões. No entanto, no acumulado do ano, essa retirada já é a maior desde 1995, segundo dados Banco Central, chegando a R$ 51,23 bilhões.

Saques da poupança deixam crédito imobiliário mais caro

A poupança principal fonte de captação dos bancos para oferecer crédito a quem está comprando um imóvel. Diante da retirada de recursos da caderneta, os bancos começaram a ter de buscar fontes mais caras, como letras de crédito (LCIs e LIGs) e certificados de recebíveis, os CRIs.

Diante disso, tanto Santander, quanto Itaú e Bradesco elevaram os juros do crédito imobiliário. Líder no crédito imobiliário e com as menores taxas, a Caixa também anunciou aumento no começo de abril.

Veja também: Vendas de novos imóveis cresceram 9% em 2022, diz Abrainc

"A caderneta de poupança tem uma taxa de juros que trava em  TR +6,17%, com isso o banco tem um spread e pode manter uma taxa de juros menor que 10% em situações normais. A poupança artificialmente ela traz a taxa de juros para abaixo de dois dígitos e taxa de juros abaixo de dois dígitos é uma condição que se tem no mundo inteiro para ter um gatilho no mercado imobiliário", disse Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, a Abrainc, em evento promovido nesta terça-feira, 11. Nos últimos doze meses, porém, o saldo na caderneta é negativo.

Setor sugere reduzir os montantes destinados aos depósitos compulsórios

As incorporadoras tem tentado convencer o Banco Central a ceder 5% dos recursos destinados aos depósitos compulsórios. Dos recursos dos bancos, 65% tem que ser destinado ao crédito imobiliário, 15% fica como recurso livre e 20% deposita junto ao Banco Central, que é remunerado  na mesma taxa que o poupador recebe. "O que estamos propondo é que o BC libere 5% desse compulsório e destine ao crédito imobiliário, mas somente aos imóveis novos, que são os que geram emprego. Isso traria uma injeção no mercado de R$ 38 bilhões de reais", explica França.

Segundo ele, bancos têm dito que esse ano o montante de financiamento, que foi na ordem de R$ 185 bilhões no ano passado, deve ficar entre R$ 140 bilhões e R$ 150 bilhões. "Com essa injeção, estabilizamos. Para o mercado é fundamental que o BC faça essa liberação de compulsório para os imóveis novos para que as pessoas possam se financiar numa taxa de juros um pouco mais comportada."

Ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, sócio da Consultoria Tendências, também diz que o compulsório poderia ser reduzido. "Hoje, os bancos têm processos e governanças de gestão de liquidez e de risco de mercado muito mais apurados. Então não há necessidade desse nível de compulsório em geral e especialmente sobre as cadernetas de poupança. O BC poderia tranquilamente reduzir os depósitos de poupança." Ele argumenta que o Brasil está precisando de alavancas de crescimento e que, por isso, funciona a ideia de direcionar isso aos imóveis novos, que geram empregos na construção civil.

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