Vale: dividendos à vista (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Mercados
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 10h31.
A Vale (VALE3) deve distribuir dividendos equivalentes a 8,2% do valor das ações em 2026, segundo projeções do J.P. Morgan. A estimativa integra um relatório em que os analistas reafirmam a recomendação de compra para os papéis da mineradora.
Nos últimos 12 meses, a ação da empresa acumulou uma valorização de quase 80% no retorno total ao acionista — métrica que considera não apenas a alta dos papéis, mas também a distribuição de dividendos no período.
O preço-alvo foi fixado pelo banco em R$ 100 até dezembro, o que representa um potencial de valorização de cerca de 20% em relação à cotação de R$ 82,90 na data da publicação. Para os ADRs negociados em Nova York, a meta é de US$ 18 — ante US$ 16,18 no mesmo período. Nos cálculos do banco, apesar da forte alta recente, o papel continua sendo negociado abaixo da média histórica.
Entre os fundamentos que sustentam a visão otimista, os analistas destacam a resolução definitiva do caso Mariana, que elimina uma das principais incertezas jurídicas da companhia. O relatório também aponta o desempenho operacional consistente — com produção firme de minério de ferro e custos em queda — além da geração de caixa robusta. Para 2026, o banco projeta um retorno de fluxo de caixa livre (FCF yield) de 7,8%.
Outro ponto relevante foi a revisão para baixo no capex de manutenção de longo prazo, de US$ 5 bilhões para US$ 4,5 bilhões, valor mais alinhado com o histórico da empresa. A redução nos investimentos recorrentes contribui diretamente para a melhora da lucratividade, ao liberar recursos que podem ser direcionados à remuneração dos acionistas. Na prática, a empresa passa a reter mais caixa livre, o que viabiliza pagamentos adicionais de dividendos ou programas de recompra de ações. Segundo estimativa do Goldman Sachs, em setembro de 2025, o movimento poderia abrir espaço para a distribuição de até US$ 400 milhões em proventos extraordinários no primeiro trimestre de 2026.
Do lado dos riscos, o principal fator é a volatilidade nos preços do minério de ferro. A projeção é que a produção da Vale se recupere gradualmente, chegando a 345 milhões de toneladas em 2027 — trajetória que depende da estabilidade operacional das minas.
As projeções financeiras para 2026 incluem receita de US$ 40,37 bilhões, EBITDA ajustado de US$ 16,62 bilhões, lucro líquido ajustado de US$ 7,03 bilhões, capex total de US$ 5,6 bilhões, dívida líquida de US$ 14,81 bilhões e dividendos por ação de US$ 0,98.
O bom momento da empresa também está diretamente ligado ao desempenho do minério de ferro. A commodity surpreendeu o mercado ao ultrapassar as expectativas: enquanto a previsão inicial era de que a tonelada fechasse 2025 em torno de US$ 90, em janeiro de 2026 ela já era cotada a US$ 106.
Segundo Yuri Pereira, analista de mineração do Santander Brasil, esse patamar foi sustentado por uma demanda robusta da China e pelo aumento da produção de aço na Índia. A combinação desses fatores fortaleceu o fluxo de caixa da mineradora e reforçou sua posição no mercado.