Bull market: JP Morgan mantém otimismo com mercados (Paulo Whitaker/Reuters)
Colaboradora na Exame
Publicado em 13 de abril de 2026 às 15h13.
A mesa de operações do JPMorgan manteve uma avaliação otimista para o mercado de ações no curto prazo, mesmo após o fracasso das conversas entre Estados Unidos e Irã. Segundo os traders do banco, o principal fator por trás dessa leitura é o avanço nas medidas para normalizar o estrangulamento da cadeia de suprimentos no Estreito de Ormuz.
Além disso, a instituição aponta três pilares que sustentam a perspectiva positiva: um quadro macroeconômico considerado resiliente, com base na solidez dos balanços de famílias e empresas e, também, nos possíveis ventos favoráveis vindos do One Big Beautiful Bill Act, pacote fiscal do governo Trump, e da produtividade do trabalho; expectativas fortes para os lucros corporativos; e um regime tarifário em que as tarifas efetivas líquidas continuam em tendência de queda.
Na avaliação da mesa, as quedas observadas no início do pregão desta segunda-feira, 13, podem representar uma oportunidade de compra. Os futuros do Dow Jones Industrial Average recuavam cerca de 400 pontos, ou 0,9%, enquanto os contratos ligados ao S&P 500 e ao Nasdaq-100 caíam 0,5% cada.
Apesar do tom construtivo, o banco reconhece riscos relevantes para o cenário. Entre eles estão a possibilidade de fracasso na resolução do conflito e escalada da guerra, lucros corporativos mais fracos do que o esperado — especialmente entre empresas de mega e grande capitalização — e um salto nos rendimentos dos títulos impulsionado por expectativas mais elevadas de inflação.
Os traders também afirmaram considerar provável que, com a retomada das conversas, o cessar-fogo de duas semanas seja estendido ou que um acordo seja fechado antes do prazo final.
Os preços do petróleo avançaram com força nesta segunda-feira após os Estados Unidos anunciarem que imporiam um bloqueio ao Ormuz depois do rompimento das negociações de paz. O West Texas Intermediate (WTI) saltou 7%, voltando a ser negociado acima de US$ 100 por barril.
No seu posicionamento, a mesa destacou preferência por ações de small caps, além de papéis de tecnologia e setores cíclicos.
Após conversas com clientes, de acordo com a CNBC, os traders também observaram que muitos investidores avaliam que o grupo conhecido como “Sete Magníficas” pode estar “barato demais”. O conjunto reúne Meta, Amazon, Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet e Tesla.
Segundo dados da FactSet, divulgado pela CNBC, todas essas empresas — com exceção da Tesla — são negociadas entre 20 e 29 vezes o lucro projetado. A fabricante de veículos elétricos liderada por Elon Musk apresenta múltiplo superior.