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JP Morgan recomenda compra de VALE3, mas vê ação menos descontada e corta preço-alvo

Banco tem expectativa de valorização mais baixa da ação, mas afirma que a mineradora reduziu riscos

Banco afirma que mineradora teve pontos positivos, mas que não resultaram em valorização da ação (Giles Barnard/Construction Photography/Avalon/Getty Images)

Banco afirma que mineradora teve pontos positivos, mas que não resultaram em valorização da ação (Giles Barnard/Construction Photography/Avalon/Getty Images)

Publicado em 4 de setembro de 2025 às 12h35.

O JP Morgan cortou o preço-alvo das ações da Vale (VALE3), de R$ 86 para R$ 78, após incorporar os resultados da mineradora no segundo trimestre em suas projeções. Ainda que mais baixo do que na projeção anterior, o valor é 40% mais alto que o fechamento do papel no pregão de ontem, 3.

A recomendação de compra (overweight) foi mantida. Para o JP Morgan, há fatores positivos que que deveriam ter refletido na valorização da ação, mesmo com a pressão nos preços do minério de ferro. Mas não foi o que aconteceu.

As ações da mineradora não apenas perderam valor, como também tiveram um desempenho inferior ao de seus pares, especialmente nos últimos três meses, afirma o banco.

Visão positiva, ainda assim

O JP Morgan acredita que essa desconexão é uma oportunidade para os investidores e reitera visão positiva para a Vale.

O papel da mineradora, segundo o banco, está sendo negociado a 3,7x EV/Ebitda (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), em comparação com a média de 5,2x de seus pares.

Além dos resultados do segundo trimestre da companhia, as mudanças de estimativas do JP Morgan levam em conta a marcação a mercado dos preços da commodities negociadas pelas mineradoras – notadamente o minério de ferro, que tem expectativa de preço mais baixo - mas cuja queda tem sido amenizada por um real mais forte.

Lucro líquido menor ano que vem

O banco prevê para Vale um lucro líquido de US$ 7,172 bilhões em 2025; em 2026, a previsão é de um valor menor, US$ 7,041 bilhões. A expectativa para o Ebitda ajustado para esse ano é de US$ 14,791 bilhões e para o ano que vem, de US$ 16,185 bilhões.

No segundo trimestre de 2025, a Vale reportou lucro líquido de US$ 2,11 bilhões, 24% menor do que o registrado no passado. E o Ebitda ajustado, no mesmo período, foi de US$ 3,386 bilhões – queda de 15% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

Já a receita líquida de vendas, o banco estima para esse ano US$ 36,630 bilhões (em 2024, essa linha atingiu US$ 38,056 bilhões) e, em 2026, a projeção é alcançar US$ 39,796 bilhões.

O JP Morgan espera que os volumes de minério de ferro se recuperem gradualmente para 360 milhões de toneladas por ano até 2027.

Fim de alguns riscos e a Bradespar

Dentre as razões pelas quais a ação deveria ter performado melhor, segundo o JP Morgan, estão: o acordo sobre indenizações relativas à tragédia de Mariana em 2015, que deu mais previsibilidade à companhia; o pacto final sobre a renovação da concessão ferroviária operado pela companhia;, a produção sólida de minério de ferro e a tendência de redução de custos C1 – de produção até o porto para escoamento.

A venda da participação da Cosan (CSAN3) de 4,1% na Vale também foi considerado positivo pelo banco.

Em relação a Bradespar (BRAP4), holding financeira que tem como único ativo a Vale (cerca de 3,8% das ações na mineradora), o JP Morgan também manteve recomendação de compra, mas subiu o preço-alvo de R$ 26,50/ação para R$ 27/ação – o aumento é justificado pelo banco devido um desconto histórico existente de 16,4% no valor da parte da Bradespar na Vale.

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