Japão: país manteve juros inalterados (Alberto Pezzali/NurPhoto/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 04h50.
Última atualização em 23 de janeiro de 2026 às 05h39.
O Banco Central do Japão (BOJ, na sigla em inglês) manteve a taxa básica de juros em 0,75% nesta sexta-feira, 23, mesmo nível desde a alta promovida em dezembro. A decisão ocorre em meio à preparação do país para eleições antecipadas, e reflete uma política de normalização monetária gradual diante de sinais persistentes de inflação.
A projeção de crescimento para o ano fiscal até março de 2026 foi revisada de 0,7% para 0,9%, enquanto a previsão para o ano fiscal seguinte subiu de 0,7% para 1%. A autoridade monetária japonesa acredita em um ciclo virtuoso de salários e preços em alta, sustentado por medidas governamentais e condições financeiras favoráveis.
Apesar da expectativa de inflação abaixo da meta de 2% no primeiro semestre, o BOJ destaca que a inflação subjacente continua em alta moderada, apoiada pelo crescimento dos salários e pela rigidez dos preços dos serviços. Em dezembro, o índice de inflação principal foi de 2,1%, o mais baixo desde março de 2022, mas ainda acima da meta pelo 45º mês consecutivo. A inflação “core-core” — que exclui alimentos frescos e energia — chegou a 2,9%.
A manutenção da taxa ocorreu por decisão dividida, com 8 votos contra 1. O conselheiro Hajime Takata defendeu uma elevação para 1%, alegando riscos inflacionários crescentes.
O iene acumula queda de 4,6% desde a posse da primeira-ministra Sanae Takaichi, em outubro. A desvalorização ocorre em meio à alta dos rendimentos dos títulos públicos, que atingiram máximas em décadas, impulsionando saída de capital. O rendimento do título de 40 anos chegou a ultrapassar 4%, mas recuou para 3,0955% na sexta-feira.
Takaichi defende uma política fiscal expansionista e planeja um orçamento recorde de US$ 783 bilhões para o próximo exercício fiscal, além de já ter anunciado um pacote de estímulo de US$ 135 bilhões em 2025. A economia japonesa recuou 0,6% no terceiro trimestre, em uma contração anualizada de 2,3%.
Mesmo com a alta dos juros, os rendimentos reais seguem negativos, o que mantém pressão sobre o câmbio e a dívida pública.
O índice Nikkei 225 avançou 0,2%, fechando em 53.800,28 pontos, após a decisão do BOJ. O iene caiu para 158,64 por dólar. As bolsas asiáticas operaram em alta moderada, com Kospi (+0,6%), Hang Seng (+0,3%) e Shanghai Composite (+0,3%). Nos EUA, os índices fecharam em alta após Donald Trump suspender tarifas sobre países europeus. O S&P 500 subiu 0,5%, o Dow Jones avançou 0,6% e o Nasdaq, 0,9%.
No mercado de commodities, o petróleo Brent subiu para US$ 64,60, e o ouro manteve-se próximo a US$ 5.000, com alta de 0,8%.